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Saúde reprodutiva em tempos de Covid-19

O acesso das mulheres à informação e aos serviços essenciais de saúde e direitos sexuais e reprodutivos segue sendo fundamental para responder à Covid-19

Por: Carla Gisele Batista* em 27/05/20 às 08H17, atualizado em 27/05/20 às 08H21

Desenho de Cyane Pacheco sem título
Desenho de Cyane Pacheco sem títuloFoto: Cortesia

28 de maio é o Dia Internacional de Ação em Defesa da Saúde das Mulheres. No Brasil, é também uma data para reforçar a necessidade de diminuição da evitável mortalidade materna, que inclui as mortes por aborto. Esta semana será marcada em todo o mundo por ações dedicadas ao tema “O acesso das mulheres à informação e aos serviços essenciais de saúde e direitos sexuais e reprodutivos segue sendo fundamental para responder à Covid-19”.

A data cai 10 dias após o 18 de maio, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. No Brasil, dados de 2019 registram 17 mil ocorrências de violência sexual contra crianças e adolescentes, um crime reconhecidamente subnotificado. 73% dos casos ocorreram nas casas das próprias vítimas. Os levantamentos, em geral, têm apontado para um aumento das violências domésticas neste período de isolamento social. A OMS avisou sobre necessidade de atenção para esta tendência em períodos emergênciais.

É de conhecimento que a crise sanitária tem acentuado limites para o acesso das mulheres e meninas à saúde reprodutiva: restrições a meios para fazer a anticoncepção, para a prevenção às dsts/aids, para a contracepção de emergência e para a realização de um aborto seguro. O acolhimento e atendimento preventivo às vítimas de violência sexual, que deveriam receber medicação para impedir gravidez e contaminação por dsts/aids, o que evitaria problemas futuros, inclusive a necessidade de interrupção de gravidez indesejada, fruto de violência, se tornou uma conquista cada vez mais distante para aquelas que deles necessitam. Os serviços de saúde se tornam ainda mais inacessíveis quando estão respaldados por governantes anti-direitos e legitimadores da violência.

18 de maio foi também a data em que os Estados Unidos - via Agencia Nacional de Desenvolvimento, a USAID - enviaram ao secretário Geral das Nações Unidas a “solicitação” para que todas as “referências à saúde sexual e reprodutiva e seus derivados” sejam eliminadas do Plano de Resposta Humanitária Global (Global HRP) à Covid-19. É importante lembrar que desde 1968 a ONU reconheceu o direito de todas as pessoas a escolherem livremente quando e quantos filhos/as ter e a importância da implementação de políticas que garantam o exercício deste direito, o que pauta a OMS. A carta, dirigida ao Secretário Geral Antonio Guterrez, reforça a condição dos EUA de maior doador para assistencia humanitária e saúde mundial, e o seu apoio a nações comprometidas com a proteção aos não-nascidos, o que soa como ameaça.

Organizações de defesa dos direitos humanos do mundo todo reagiram imediatamente à carta. Serra Sippel, presidenta do Centro para a Igualdade em Saúde e Gênero – CHANGE (Washington) manifestou que a “USAID deveria envergonhar-se por sua absurda tentativa de utilizar o coronavírus como meio para desmantelar um marco de saúde sexual e reprodutiva”.

Paula Viana, enfermeira, uma das coordenadoras do Grupo Curumim Gestação e Parto (Recife) chama a atenção para o fato de que “enquanto nos EUA a USAID defende que os serviços de saúde reprodutiva não são essenciais e devem ser fechados, na Inglaterra o sistema hoteleiro se organizou para receber as gestantes de baixo risco, evitando que elas se expusessem ao vírus. Também estão utilizando a telemedicina para o atendimento ao aborto, inovações do Estado para garantir a saúde e a vida das mulheres e filhos/as”.

No Brasil, retoma Paula, “logo no início da pandemia, fecharam o serviço de referência do Hospital Pérola Byington, em São Paulo. A rápida reação dos movimentos de mulheres e da Defensoria Pública da União/SP conseguiu a reabertura. Muitos serviços têm relatado a diminuição dos atendimentos de violência sexual, seja pela resistência das mulheres em procurá-los, por receio de contaminação, seja pela diminuição de leitos ou fechamento de departamentos nos hospitais. Em Pernambuco continuam funcionando. Estamos atentas, acompanhando, informando, para tentar diminuir os prejuízos que só com o tempo poderemos dimensionar!”.

O atual governo federal, alinhado ao governo norte-americano - ainda que este prefira demonstrar distanciamento de tão execrada figura internacionalmente-, ignora a demanda existente por regulação de fertilidade, sustentando a ausência de investimentos em políticas de saúde reprodutiva em uma perspectiva conservadora, que lhe garante apoio de setores religiosos fundamentalistas. Nega o direito de mulheres e casais à livre decisão reprodutiva e recusa às crianças, adolescentes e mulheres adultas o acolhimento e a atenção necessárias aos casos de violência sexual. Declarações do atual mandatário o qualificam como porta-voz da renaturalização de todas as formas de violência, o que esperar?

EUA e Brasil são os dois países que, por negligência ou determinação governamental, têm o maior número de contaminados e mortos pela Covid-19. São os seus líderes, os garotões-propaganda da industria armamentista, que contraditoriamente se auto-reivindicam “defensores da vida”, lideranças que priorizam a economia/grandes empresas em detrimento da saúde e dignidade da população.

Os movimentos de mulheres e feministas seguem em luta em defesa de uma vida sem violência e com saúde para todas as mulheres e meninas. Que elas possam crescer no exercício do direito à autonomia, sendo respeitadas nas suas decisões.

Agradeço a Cyane Pacheco pelo desenho, s/título, que ilustra esta coluna.

Fonte: https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/mulheres-em-movimento/2020/05/27/NWS,141919,70,1055,NOTICIAS,2190-SAUDE-REPRODUTIVA-TEMPOS-COVID.aspx


 

Médica Thelma Assis é a vencedora do BBB 20
Médica Thelma Assis é a vencedora do BBB 20Foto: reprodução/site BBB/Globo

Thelma Assis foi coroada campeã da edição mais vista do "Big Brother Brasil" nos últimos dez anos. E fez isso sem contar com o benefício, que muitos colegas tiveram, de já ser uma personalidade pública antes de entrar na casa.

Na entrevista a seguir, ela comenta o que a vitória num reality show com essas proporções estrondosas significou e fala sobre os debates raciais e de gênero que pautaram o programa.

A médica discute também como tem visto o enfrentamento à pandemia de coronavírus no Brasil, após ter sido convidada pela Prefeitura de São Paulo a ser o rosto de uma campanha publicitária de conscientização a favor da quarentena. 

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PALAVRA DA CAMPEÃ
Foi uma experiência de vida que significou um grande ato de coragem para mim. Ter pausado toda a minha vida profissional e investido numa experiência que poderia dar certo, como aconteceu, ou não dar.

Trouxe um resultado muito gratificante. Muito mais do que o prêmio, pela representatividade, pelo reconhecimento e admiração que eu gerei nas pessoas que se identificam comigo.

Mais que entretenimento, esse "Big Brother" trouxe à tona pautas que são superimportantes. Talvez também pela questão da quarentena, as pessoas estão mais sensíveis. Aí trazer essas pautas casou muito bem com esse momento. Essa união deu como resultado uma repercussão muito positiva para o programa.

MACHISMO E RACISMO
Eu acho superimportante sempre falar sobre esses temas do racismo e do machismo em todos os veículos, ainda mais num reality show. São temas que a gente debate diariamente. Enquanto existir, a gente tem que bater de frente.

Um reality show, apesar de ser um jogo, reflete muito nas atitudes, no que acontece na sociedade. É um lugar de exposição, onde a gente acabou tendo a oportunidade de debater isso e foi superimportante.

Foi o roteiro da história, que direcionou a formação dos grupos de afinidade. Foi sensacional a forma como tudo aconteceu, vendo de fora hoje.

Vencer o reality show Muito orgulho, de verdade. Por ser uma edição em que eles apostaram muito, que criou muita expectativa no público. Por ter sido uma edição de sucesso, com tamanha repercussão, que entrou para o "Guinness Book" em recorde de votos, que levantou essas pautas importantes, e ainda eu saindo como vitoriosa.

A PANDEMIA
Fiquei bem chocada. A gente não imaginava que tivesse tamanha repercussão, da forma como foi apresentado para nós. Eu imaginava que fosse uma situação mais resolutiva a curto prazo. Imaginei que fosse sair e encontrar uma data para a quarentena acabar.

E aí eu saio de um confinamento voluntário e deparo com a situação de ter que encarar um confinamento obrigatório, pelo bem da minha saúde, da minha família e da sociedade. Então não foi fácil.

Foi tudo novo. Eu me surpreendi como nesses poucos meses as pessoas já se adaptaram a essa mudança de rotina. Ontem meu marido teve que sair para sacar dinheiro. E quando ele voltou, eu falei: "Você não fez as medidas que as pessoas estão falando?". E ele disse, "eu já fiz, já troquei de sapato, higienizei tudo". Ou seja, ele já fez tudo tão rápido que eu nem percebi.

Eu estou confinada, mas me sinto muito solidária a todos os médicos na linha de frente, converso diariamente com meus amigos, que são na maioria anestesistas. Eles me deixam a par da mudança no cenário, o quanto mudou a rotina de cirurgias, as escalas de trabalho, a logística dos hospitais.

Minha primeira crise de choro pós-"BBB" foi quando tomei conhecimento de um colega que era psiquiatra - e tinha uma história de vida muito parecida com a minha - que foi contaminado com Covid trabalhando e infelizmente veio a falecer. Fiquei bem impactada. Caiu aí a ficha de como está a situação para eles.

O COMBATE À PANDEMIA
Têm sido feitos alguns esforços. Eu trabalhava num hospital no M'Boi Mirim e lá mesmo foi criado um hospital de campanha. A orientação que tem sido passada para as pessoas é de ficar em casa na medida do possível. Acho que têm sido feitos esses esforços para solucionar o problema, que é mundial.

Tenho acompanhado a evolução das pesquisas sobre vacinas. Mas o que tem chegado infelizmente são só os números, as estatísticas, que ainda não começaram a diminuir. O foco do combate tem que continuar nisso, pedir para as pessoas, na medida do possível, continuarem em casa. Tenho seguido muito o que os profissionais de saúde têm orientado.

A Prefeitura de São Paulo me contatou falando que me elegeram como porta-voz dessa campanha [publicitária de conscientização contra a pandemia] justamente por isso, por ser médica, por ter saído de um confinamento para outro e por ter tido essa imagem de representatividade.

Consideraram isso um ponto importante de identificação com o público para conseguir uma maior adesão. Fiquei honrada de ter construído essa imagem.

Aqui fora, dentro de casa Eu tenho usufruído da imagem que foi levada para o público, das pessoas que estão me seguindo e me admiram, para mandar uma mensagem positiva. Tenho feito lives com foco para a saúde, não só de entretenimento, busco ao menos uma vez por semana falar sobre saúde e orientar as pessoas.

Também tenho feito publicidade e participações no programa "É de Casa", da Globo, é uma oportunidade de estar em contato com o público, mandando mensagens de orientação em relação à Covid.

Eu quero continuar influenciando as pessoas que me seguem e unir isso ao meu trabalho de alguma forma. Aos poucos, quero retomar a anestesia, que é minha especialidade.

Infelizmente essa pandemia veio à tona, teria sido muito melhor se a vida estivesse normal e o reality tivesse acontecido na realidade de antes. Mas, se teve que acontecer dessa forma, eu fico feliz de ter conseguido ter esse papel, levantado essa bandeira de pautas importantes e conseguir levar orientação dentro dessa pandemia.

 

fonte: https://www.folhape.com.br/diversao/diversao/celebridades/2020/05/27/NWS,141904,71,675,DIVERSAO,2330-EX-BBB-THELMA-DIZ-QUE-MACHISMO-RACISMO-DEVEM-SER-COMBATIDOS-FRENTE.aspx

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