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Escândalo da Vaza Jato tem potencial para levar Moro e Dallagnol à cadeia

A Vaza Jato tende a ser um escândalo ainda mais potente do que a Lava Jato. Porque desnudará toda a engrenagem que destruiu a economia e a democracia brasileira.

Renato Rovai - Revista Fórum
 

As primeiras reportagens que vieram à tona na noite deste domingo (9) no The Interceptmostram que o então Juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato, como Deltan Dallagnol, conversaram e definiram estratégias sobre os rumos de processos judiciais que levaram, entre outras pessoas, o ex-presidente Lula à cadeia.

Um leigo pode achar isso algo nem tão importante. Mas é uma bomba que vai colocar o caso da prisão de Lula e do golpe contra Dilma Rousseff em destaque internacional não apenas do ponto de vista midiático, mas jurídico.
Os maiores juristas do mundo vão querer conhecer o conteúdo dessas conversas e tramas entre um juiz e seus acusadores. E vão se voltar para o veredicto contra Lula. Que é algo que, como apontamos desde sempre, não fica em pé.

Mas essa é apenas uma parte da história e que por isso só já requer investigação sobre os procedimentos de Moro e de Dallagnol. E que poderiam transformá-los em réus em processos judiciais. Réus em processos nos quais poderiam ser condenados e ter de cumprir pena.

Mas ao que tudo indica os grampos do conluio têm potencial ainda mais explosivo.

Moro e Dallagnol não teriam conversado sobre o processo apenas entre eles. Ambos teriam também se relacionado com políticos, empresários e outros envolvidos em escândalos. E esses áudios, vídeos e textos estariam para ser publicados em novas reportagens do The Intercept.

A depender do conteúdo delas, ambos estarão liquidados.

Moro e Dallagnol podem ter conversas reveladas que exporiam as entranhas da maior fraude da história da República. Com quem falaram. Vamos a algumas hipóteses: Palocci? Aécio Neves? Empreiteiros que acertaram delações? Bolsonaro? Juízes do TRF 4? Os filhos do Roberto Marinho? FHC? Xuxa? Pelé? Ratinho?

Todos os nomes acima são apenas suposições. Eles podem ter falado com centenas de pessoas que direta ou indiretamente teriam relação com o processo de Lula ou de outros investigados. Pelo que tem tuitado o jornalista Glenn Greenwald tudo isso será revelado em áudios, vídeos e textos nos próximos dias.

Se isso vier a ocorrer a Vaza Jato tende a ser um escândalo ainda mais potente do que a Lava Jato. Porque desnudará toda a engrenagem que destruiu a economia e a democracia brasileira. Os próximos dias serão tensos. Moro e Dallagnol sabem melhor do que todos nós o quanto.

 

Leia também: Juristas consideram que vazamento de conversas de promotores da Lava Jato pode anular condenações

 

Renato Rovai
 
 

 

Lava Jato: O mecanismo foi desmontado

Cleber Lourenço: Não tem mais como correr. Eles que atuaram como Harry Houdini para desviar a atenção do público, agora possuem todos os holofotes apontados para o circo que eles mesmos montaram.

Divulgação
 
Por Cleber Lourenço - Revista Fórum
  

Pelo visto todas as pessoas foram enfim colocadas na mesa. Na reta final do domingo o portal The Intercept Brasil publicou uma série de conversas de figuras-chave para a operação que tem como único objetivo desmontar a República e alienar o país.

 

Agora não tem mais como correr. Eles que atuaram como Harry Houdini para desviar a atenção do público, agora possuem todos os holofotes apontados para o circo que eles mesmos montaram.

Indícios não faltaram. Ainda em 2018, Mourão, atual vice-presidente da República, foi taxativo em informar que o então juiz federal Sergio Moro havia sido convidado para o Ministério da Justiça do até então candidato Jair Bolsonaro, isso em plena campanha eleitoral. Dias depois Moro retirou o sigilo da delação de Antônio Palocci. Um fato estranho e assustador, mas que seria apenas o conjunto de outros episódios que culminaram nas revelações do último domingo (9).

Dois meses antes da revelação de Mourão, um outro fato também envolvendo o general da reserva já havia causado estranheza. Em agosto de 2018 o notório juiz Thompson Flores, desembargador do TRF4, conhecido por ser um dos responsáveis pela prisão do ex-presidente Lula, decidiu em plena campanha eleitoral participar de um evento com o general Mourão no clube militar, isso tudo sob uma intensa troca de elogios e gentilezas entre o juiz responsável por prender o primeiro lugar nas pesquisas e o candidato à vice-presidência da chapa em segundo lugar nas pesquisas.

Qualquer país minimamente sério e comprometido com a Justiça, com um poder judiciário e um STF empenhados na defesa incondicional da Constituição, já teria dado fim para toda a intentona de extrema-direita. Porém, assim como em 64, a justiça deu aval e foi conivente com a atrocidade.

Já falei mais de uma vez em meu Twitter: era gritante a forma como a Lava Jato sempre tabelou com o atual Poder Executivo, antes e depois de assumirem o governo para movimentar de forma truculenta o curso da história do país. Se alguma vez na história brasileira existiu alguma “força oculta” ela se revelou na não tão oculta Lava Jato.

O projeto de poder deles é um só: assumir o país, se constituírem em uma força política, fora da política. Se não podem ganhar pelas urnas, então o atalho tomado será pelas togas.

Entre os vazamentos está um trecho interessante onde o procurador Athayde Ribeiro Costa sugere que a PF autorizasse a entrevista do Lula, porém, para depois das eleições. Sim, aquela famigerada entrevista que causou tumulto no meio político ano passado. A observação do procurador me chama a atenção para um fato: estaria ele sugerindo esta alternativa por saberem que haverá membros da conspiração não só no poder judiciário como também na política federal? Quem seria a “quinta-coluna” dentro da PF?

Em outro trecho o contundente procurador Deltan Dallagnol deixa claro que nem ele mesmo tem certeza se haveria de fato algum indício de crime concreto para acusar Lula. Se o pífio Power Point não bastou, segue o trecho abaixo, onde Dallagnol declara para um grupo de procuradores:

“Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua”.

Sim, eles não tinham certeza do que estavam fazendo, só sabiam que queriam prender Lula. O desespero era para que o caso envolvendo o famoso triplex fosse para Curitiba e não para São Paulo, onde ficaria longe de Sergio Moro.

Algo gritante e escandaloso. Ainda há uma série de diálogos já revelados e que ainda serão divulgados, mas a pergunta que faço agora é: há como negar que a Lava Jato é uma operação de “atalhos” para o poder?

Outro ponto que os vazamentos deixam evidentes é o conflito entre os lavajatistas e os ministros do STF que, por mais coniventes fossem, ainda geravam incômodos para o grupo de conspiradores.

Como no episódio da Crusoé. Quem vazou a delação que atingia Toffoli para a revista?

Há um ligeiro interesse do Partido Lavajatista em dinamitar o STF. Afinal de contas, o partido que busca eliminar toda e qualquer atividade política hostil aos seus interesses, primeiro, vê no STF o impeditivo para que ainda não ocorresse uma verdadeira caça às bruxas na classe política, independente de prova, crime ou culpa.

Veja também:  Por que tirar 10 na prova se eles podem tirar o 38 da mochila?

Agora é que as coisas ficam mais interessantes. Ainda em março o STF havia informado que iria investigar possíveis agitadores contra o Judiciário, entre eles estava Deltan Dallagnol. Acontece que o mesmo Deltan, na mesma semana, também tomou outra invertida do STF.

Após tentar abocanhar o fundo bilionário da Petrobras, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liminar para suspender o acordo firmado entre a empresa e procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Além disso ele também determinou o imediato bloqueio de todos os valores depositados pela Petrobras. Na ocasião a decisão teria sido tomada a pedido da procuradora-geral da República (PGR), que recorreu à Corte contra a criação da fundação.

E melhor ainda! O mesmo Alexandre de Moraes que barrou o fundo bilionário é o mesmo que “censurou” a revista Crusoé, a mais nova queridinha da extrema-direita brasileira.

Ou seja, o Partido Lavajatista encurralou o ministro e o STF. Colocou todos onde queria e, então, apenas assistiu a magia acontecer, a fritura pública do STF com a censura não poderia ter vindo em melhor hora, nem se Deltan pedisse sairia tão bom.

No final a arapuca dos lavajatistas contra o STF ficou assim:

As informações prestadas por Marcelo Odebrecht sobre quem era o “amigo do amigo do meu pai” estão ou estavam em uma delação enviada à Polícia Federal no início de abril.

Porém a controversa “delação” divulgada pela Crusoé está desaparecida dos autos desde o dia 12.

Tal afirmação não comprova a participação do ministro em uma conduta irregular, mas serviu para inflamar setores da sociedade, como todo bom vazamento lavajatista.

A PGR diz não ter o documento, uma vez que nunca teria saído da Polícia Federal de Curitiba.

O Partido Lavajatista contou com a prepotência e arrogância dos ministros e acertou em cheio. Logo, o resumo da confusão toda é isso: o STF nunca esteve preocupado com o combate contra as fake news, se omitiram em 2018 e seguirão se omitindo. Por outro lado, a Crusoé que tem como grande público apoiadores da ditadura militar brasileira, sentiu o gosto de 64 na prática e não gostou do sabor amargo.

Embora não tenham conseguido botar as mãos no fundo bilionário da Petrobras graças ao STF, a propaganda, pompa e opulência seguem de maneira irrefreável, agora até mesmo propaganda “eleitoral” a operação decidiu fazer via decisão judicial, uma vez que ficaram sem o fundo bilionário.

A concessionária Rodonorte, que opera parte do pedágio nas rodovias do Paraná, firmou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal. Além do “desconto” de 30% na tarifa, a empresa terá que veicular uma propaganda da Lava Jato. A propaganda que será entregue terá o seguinte texto:

“O valor do pedágio foi reduzido em 30% [ou percentual aplicado no momento] porque recursos provenientes de corrupção foram recuperados pela Operação Lava Jato e aplicados em benefício do usuário”.

Notem que o o acordo é assinado pela equipe de Deltan Dallagnol. O mesmo que está desesperadamente tentando se projetar com vídeos no YouTube, Twitter e o que mais estiver ao seu alcance. Até o mais leigo em leis, me enquadro neste grupo, sabe o que é isso: crime de improbidade administrativa.

Acha conspiração? Então, me diga: como é que na iminência de um novo julgamento do presidente Lula e com o baile que tomaram no STF, vaza uma suposta delação que sequer estava com a PGR onde o principal atingido era o presidente do Supremo?

Quando iniciamos nosso retorno para a democracia, após 21 anos de ditadura, consolidamos as leis e dispositivos legais para evitar que o Legislativo, o Executivo ou as Forças Armadas degolassem novamente a Constituição, as leis e a democracia. Tudo isso com a fé inabalável de que o Judiciário seria o garantidor da ordem democrática. Falhamos.

Se isso não tiver um fim, prepare-se para o guarda da esquina, parafraseando Pedro Aleixo.

 

A Lava Jato é um partido e a hora que este grupo tomar o poder, aaaah, então prepare-se que a verdadeira calamidade vai começar.

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