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12º dia de greve de petroleiros, 108 unidades paradas enfrentando o autoritarismo do Judiciário e de Bolsonaro

Nessa quarta-feira, 12, completa também o seu 12º dia de greve, com adesões em novas unidades, chegando 108 postos operacionais parados contra as demissões e pelo cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho, uma violação judicial, mas que recebe o mais íntegro apoio do próprio poder Judiciário, sob decisão do TST do reacionário Ives Gandra.

Esquerda Diário

quarta-feira 12 de fevereiro| Edição do dia

Segundo o site da FUP, são 50 plataformas mobilizadas em cinco estados do país: Rio de Janeiro, São Paulo, Espirito Santo, Ceará e Rio Grande do Norte. Segundo a FNP, são mais de 20 mil petroleiros parados em 50 plataformas, 11 refinarias e 23 terminais, 7 campos terrestres, 5 termelétricas, além de outras usinas, fábricas e setores administrativos da empresa.

É sem dúvida a principal batalha operária contra Bolsonaro e o consenso burguês pela implementação das reformas, demissões e privatizações.

Os petroleiros estão tendo que lidar com uma dura repressão por parte de uma aliança da Petrobrás, Bolsonaro e o autoritarismo judiciário herdeiro da Lava-Jato. Juntos querem impedir que esses trabalhadores impeçam as 1000 demissões com o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados em Araucária-PR, defendendo suas famílias do abismo social do desemprego, assim como os interesses da população brasileira de impedir a privatização de 8 refinarias e dezenas de terminais por parte do governo, que quer entregar nossos recursos nacionais ao imperialismo.

Sua greve se enfrenta com a política abusiva de preços da empresa, aprofundada por Temer e depois por Bolsonaro, que fazem com que a gasolina, o gás de cozinha e, por tabela, os produtos alimentícios, para aumentar os lucros dos acionistas e dos monopólios internacionais de petróleo, que estão esfregando as mãos ansiosos com a privatização da Petrobrás. Denunciam essa política com ações de venda de gás a preço justo para a população em diversas cidades do país, batalhando contra o cerco midiático buscando apoio da população.

Essa política privatista em benefício dos lucros capitalistas teve como principal agente a operação Lava-Jato, comandado pelo atual ministro Sergio Moro, que sob discurso de “combate a corrupção”, preservou cada esquema corrupto ligado ao imperialista dentro da empresa enquanto enfraquecia e desmontava sua estrutura, os desafios tecnológicos oferecidos contra os monopólios internacionais de petróleo para facilitar o entreguismo que estamos assistindo hoje.

Agora o TST, cujas decisões foram respaldadas pelo presidente do STF, Dias Toffoli, abriu uma ofensiva contra o direito de greve desses trabalhadores, autorizando multas de R$ 500 mil aos sindicatos, a imposição de 90% do efetivo trabalhando, a contratação de temporários para atuar como “fura greves”, e começando essa semana com desconto de salário dos grevistas. Diante disso, é fundamental cercar de solidariedade à greve de petroleiros, dizendo não às demissões e a privatização da Petrobrás.

Leia também: Não às demissões, à privatização e à entrega da Petrobrás

Defendemos a luta contra a política privatista e entreguista desse governo, levantando uma resposta: a de que todos os recursos sejam da Petrobras, que ela seja 100% estatal e que seja democraticamente administrada pelos trabalhadores e controlada pela população. Que garanta total transparência em suas transações combatendo, também, a corrupção; e que as riquezas produzidas estejam a serviço do povo brasileiro e de suas necessidades. E para que não reste para o Brasil, onde são explorados os recursos naturais por trabalhadores brasileiros, apenas o impacto ambiental e preços abusivamente altos.

Frente ao consenso burguês de aplicação das reformas, demissões e privatização da Petrobrás, a dedicação de todas as forças e energias para apoiar essa greve se torna um questão vital. A cada dia que a CUT não coloca toda a força de seus sindicatos, de metalúrgicos, bancários, professores, e tantas outras categorias, e o PT com seus parlamentares em uma campanha nacional para apoiar essa greve, termina por isolar a greve dos petroleiros, facilitando sua derrota e portanto a aplicação dos planos de privatização. Os parlamentares do PSOL com sua grande exposição midiática deveriam ser linha de frente em cercar de apoio a greve e assim contribuir a que a CUT e demais centrais sindicais façam mais que declarações de apoio aos petroleiros em seu Facebook.

 

fonte: http://www.esquerdadiario.com.br/12o-dia-de-greve-de-petroleiros-108-unidades-paradas-enfrentando-o-autoritarismo-do-Judiciario-e-de


Petroleiro: “Revogar as reformas sem derrubar Bolsonaro é impensável”
O DCO coletou depoimentos de petroleiros sobre a greve da categoria, que completa 12 dias nesta quarta e atinge mais de 100 unidades, 13 estados e 50 plataformas
 
2020.02.11 Greve petroleiros
Ato dos petroleiros em greve: Divulgação FUP
 
 

Nessa terça (11), o Diário Causa Operária (DCO), conversou com petroleiros em greve e coletou depoimentos sobre o andamento do movimento, que completa 12 dias nesta quarta, atinge 13 estados e mais de 100 unidades em greve, sendo 50 plataformas de petróleo.

O movimento se iniciou no Paraná, com a ocupação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) em Araucária pelos petroquímicos e adesão à greve dos petroleiros nas 4 unidades da Petrobras no estado (Fafen, SIX, REPAR, TEPAR).

Para o dirigente do Sindipetro PR-SC, Jordano Zanardi:

“A greve é contra é contra as demissões dos 400 trabalhadores efetivos e dos 600 terceirizados da Fafen-PR e os mais de 4 mil empregos indiretos gerados em Araucária pela presença das unidades do Sistema Petrobras. Pelo cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2019-2020, que é contra as demissões em massa e vem sendo atropelado pela Petrobras. E em defesa da soberania, da energia, que não deve ser tratada como mercadoria a ser entregue ao capital estrangeiro.”

“REPAR e o TEPAR corte de rendição no dia 1º de fevereiro. Todas com a rendição cortada há 12 dias,” afirma Zanardi.”

Na tentativa de destruir a greve, a burguesia através do Tribunal Superior do Trabalho (TST) impôs uma série de medidas que mostram o caráter ditatorial do regime golpista no país. O tribunal determinou multas que ultrapassam os 5 milhões diários, bloqueio das contas da FUP e dos Sindicatos, retenção do repasse da mensalidade sindical por parte da Petrobras e que os petroleiros façam greve com 90% da categoria trabalhando.

Segundo Zanardi, só o Sindipetro PR-SC está tomando dívida de 250 mil reais por dia, pois a Justiça entendeu que a FUP não cumpriu a liminar de Ives Gandra. Para o petroleiro, a medida não é apenas estapafúrdia, como irreal, dado que “em períodos de férias, certamente há mais de 10% da categoria parada,” afirma o dirigente.

Quem são os fura-greves?

Somado a isso, a empresa passou a operar as unidades com “grupos de contingência” formados por fura-greves de dentro (coxinhas que não aderiram ao movimento) e de fora (terceirizados contratados). Zanardi denuncia:

“O grupo de contingência trabalha em desvio de função. É formado por pessoas, engenheiros e trabalhadores outros, que não tem conhecimento para operar essas unidades, oferecendo risco para os trabalhadores, para as instalações e para as comunidades do entorno.”

Fura-greve trabalhando em desvio de função. O Sindicato determina que os trabalhadores não entrem para trabalhar. Aquele que não adere a greve e trabalha em desvio de função, serviço para qual ele não é treinado. E as pessoas de fora que seriam de fora convocados para trabalharem.

A inclinação dos petroleiros em reagir à ofensiva da direita

Para Zanardi a conjuntura não é favorável, vide eleição do Bolsonaro e ataques sistemáticos da direita contra os trabalhadores e seus direitos. Portanto, apesar de alguns ministros que tentarem um esforço negocial, a grande massa deles é “pró patrão”.

“A eleição do Bolsonaro foi uma fraude, o ex-presidente Lula liderou todas as pesquisas do páreo. A lava Jato foi montada para prendê-lo e impedir que os partidos de centro-esquerda continuassem na liderança do nosso país.”

E continua:

“Neste momento estamos recebendo o apoio de inúmeras categorias através de notas e participações nos atos. A gente espera fomentar que outras categorias se somem à greve da categoria para defender às suas reivindicações específicas e as reivindicações de todas as categorias. Estamos abertos para receber o apoio de todas as categorias do país, bem como a disposição de apoiar as outras categorias. Não vamos correr da batalha neste momento. Se à conjuntura virar e os trabalhadores, os petroleiros vão cumprir seu papel neste processo.”

Perguntado pela redação do DCO sobre qual é, neste momento, a reivindicação geral que une os trabalhadores, Zanardi respondeu que a luta contra a reforma trabalhista e da previdência não unificou todos os trabalhadores, o que sinaliza que a base da unidade da classe trabalhadora não é trabalhista. Para ele, a unidade dos trabalhadores enquanto classe não se dará sobre uma base econômica, material. Segundo ele:

“A revogação de todas as medidas (reforma trabalhista e da previdência), sem a derrubada do governo Bolsonaro é impensável. A pauta que irá unificar as categorias não é a trabalhista. O principal problema do país hoje em dia é o desemprego. O Estado precisa retomar os investimentos, suspender os juros da dívida, taxar dividendos e grandes fortunas. É preciso retomar os investimentos públicos, para a retomada da indústria naval, para que os navios não sejam comprados na China, mas sim produzidos no país.”

Nesta quarta, ocorrem atos por todo o país para ampliar o alcance da greve dos petroleiros. O DCO segue na cobertura e se você é petroleiro ou tem informações sobre a greve, pode enviar para nossa redação. É preciso fortalecer o movimento, na defesa das reivindicações dos petroleiros e de todos os trabalhadores contra o governo golpista de Bolsonaro.

fonte: https://www.causaoperaria.org.br/petroleiro-revogar-as-reformas-sem-derrubar-bolsonaro-e-impensavel/

 

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