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Pai relata gritos racistas contra a filha em jogo do Paulista sub-17 de vôlei: "Macaca e outras coisas"

Caso teria acontecido em partida entre o Sesi-Bauru, time da ponteira Tifanny, contra o Barueri; clube afirmou que repudia ação e promete investigar autores dos gritos


Reprodução/Facebook

Por GloboEsporte.com — Bauru, SP

 

 

O pai da jogadora do time sub-17 do Barueri Isabelle Venâncio relatou ofensas racistas sofridas pela filha em partida contra o Sesi-Bauru, pelo estadual da categoria, disputada na última quarta-feira, em Bauru. O jogo foi vencido pelo Sesi-Bauru por 3 sets a 2.

Segundo Gilmar Venâncio, a jogadora foi chamada pelos torcedores do time do interior paulista de "macaca e outras coisas". Ele usou as redes sociais para fazer um desabafo sobre o episódio.

– Um pai indignado. Na noite de ontem (22/05), minha filha foi até Bauru defender o Barueri sub-17 contra o Sesi-Bauru. E se os casos de racismo que acompanho nos noticiários já são revoltantes, imagine sendo com minha filha. A torcida local a chamando de macaca e outras coisas. Fui buscar ela agora a pouco e quando a vi tive que conter o choro, com aquele aperto no peito. Na revolta de eu não estar por perto. Que se estivesse, iria dar merda de verdade – disse o pai através de uma rede social.

Integrante da elite do Campeonato Paulista e da Superliga feminina de vôlei, o Sesi-Bauru é o time que abriu as portas para a ponteira Tifanny, a primeira transexual a atuar profissionalmente no vôlei brasileiro.

A reportagem entrou em contato com a diretoria do Barueri, que avisou ser contra esse tipo de manifestação e preconceito. A entidade ia se reunir na tarde desta quinta-feira para avaliar relatório da comissão técnica e tomar uma decisão

Em nota, o Sesi-Bauru respondeu afirmando que tem investigado o caso e que tomará providências assim que descobrir os autores dos gritos. Confira abaixo o comunicado na íntegra:

O Sesi Vôlei Bauru vem a público solidarizar-se com o sentimento de revolta e indignação manifestado em post de rede social por Gilmar Venâncio, pai de jogadora do Barueri que relatou que sua filha teria sofrido uma ofensa de cunho racista oriundo da torcida presente ao jogo de ontem de sua equipe, válido pelo Campeonato Paulista das categorias de base, diante do Sesi Vôlei Bauru, em Bauru.

O Sesi Vôlei Bauru está apurando os fatos para, se comprovadas a informada, lamentável e revoltante atitude, tomar todas as providências cabíveis, inclusive legais, referentes ao caso.

O Sesi Vôlei Bauru não tolera e nem compactua com qualquer tipo e/ou forma de preconceito e os repudia de forma veemente, seja ele racial, sexual, social, de gênero, religioso e de todas as demais formas em que ele possa se manifestar.

Por isso, o Sesi Vôlei Bauru reafirma seu compromisso com o respeito à honra e a dignidade humana e que seguirá lutando de forma firme e permanente no combate ao preconceito no ambiente esportivo.

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