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Homicídios de negros no Rio Grande do Sul aumentam 89,3%, segundo Atlas da Violência

 

A realidade revelada pelo Atlas da Violência mostra a vulnerabilidade da população autodeclarada preta no Rio Grande do Sul. Enquanto os índices de homicídios de não negros aumentaram em 41,2% nos anos analisados (2007 a 2017), as mortes de negros cresceram em 89,3% no mesmo período.

Gaúchos negros foram mortos duas vezes mais em relação aos brancos nos anos analisados. 
Foto: Eduardo Tavares/ Divulgação

De acordo com o Major Dagoberto Costa, membro convidado da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do Rio Grande do Sul e ex diretor da Cadeia Pública de Porto Alegre, diversos fatores contribuíram para a realidade atual dos negros gaúchos, como a falta de incentivo para políticas públicas afirmativas. Além disso, a desigualdade social coloca os negros em risco, automaticamente. “No entanto, eu acredito que o que nos coloca na mira do cano da arma é a vulnerabilidade da população negra, em especial no RS”, explica. 

O Rio Grande do Sul é o segundo estado com mais desigualdade racial no Brasil, ficando atrás apenas de Roraima, de acordo com o relatório de Desenvolvimento Humano para Além das Médias, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). “O refinamento destes dados dão uma ideia melhor das possíveis causas desse aumento no índice de mortes de pessoas negras”, conclui Dagoberto. 

Leia também: 75% das vítimas de homicídio no País são negras, segundo Atlas da Violência

Políticas Públicas

A vereadora e Procuradora Especial da Mulher da Câmara Municipal de Porto Alegre, Karen Santos (PSOL), destaca que a prefeitura e a Câmara não reconhecem as desigualdades raciais existentes na cidade. “Ainda vivemos sob o mito da democracia racial ou do racismo somente enquanto uma relação interpessoal”, explica.  

Vereadora Karen Santos – Foto: CMPA/Divulgação

Para Karen, os últimos projetos de políticas aprovadas pelo governo e sua base demonstram o caminho trilhado nos últimos anos em Porto Alegre: “o aumento da segregação na cidade. Temos um transporte público ruim e caro, faltam creches, as ruas da periferia ñ tem calçadas e nem saneamento. Do nosso ponto de vista, isso é demonstração óbvia de racismo institucional”, finaliza.

 

fonte: https://noticiapreta.com.br/homicidios-de-negros-no-rio-grande-do-sul-aumentam-893-segundo-atlas-da-violencia/

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