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CENSURA: Desembargador do Rio manda retirar especial do Porta dos Fundos do ar citando o bem da “maioria cristã”

Desembargador Benedicto Abicair deu liminar contra obra do Netflix acatando pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura. Sede do grupo foi alvo de ataque no Rio

Fábio Porchat (esquerda), como Orlando, e Gregório Duvivier, como Jesus, em imagem de divulgação del especial de Natal do Porta dos Fundos.
Fábio Porchat (esquerda), como Orlando, e Gregório Duvivier, como Jesus, em imagem de divulgação del especial de Natal do Porta dos Fundos.NETFLIX
 

O desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, acatou nesta quarta-feira o pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura e concedeu liminar ordenando que a Netflix retire de seu catálogo a produção A Primeira Tentação de Cristo, do Porta dos Fundos, por julgar que “o direito à liberdade de expressão, imprensa e artística não é absoluto”. Em sua decisão, o desembargador também escreve que as “redes sociais são incontroláveis”, que a Netflix pode ser acessada por todos, “inclusive menores” e que “o título da ‘produção artística’ não reflete a relidade do que foi reproduzido”

Disponível desde o dia 3 de dezembro, a obra recebeu críticas e causou polêmica porque a trama insinua que Jesus teria uma relação homossexual. A associação religiosa iniciou um abaixo-assinado (com mais de dois milhões de assinaturas) para pedir o veto à obra, que havia sido negado na 1ª instância. O desembargador disse que sua medida deve seguir valendo até que o mérito da questão seja julgado. Cabe recurso à decisão de Abicair, que escreveu: "Por todo o exposto, se me aparenta, portanto, mais adequado e benéfico, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã, até que se julgue o mérito do agravo, recorrer-se à cautela, para acalmar ânimos, pelo que concedo liminar na forma requerida”. Até a publicação desta reportagem, a Netflix não havia se manifestado sobre o caso. O EL PAÍS apurou, contudo, que a empresa ainda não foi notificada oficialmente pela Justiça.

Na sátira humorística de 46 minutos, Jesus (Gregório Duvivier) volta do deserto para sua festa surpresa de 30 anos acompanhado de Orlando (Fábio Porchat), uma personagem extravagante que deixa implícito, em quase todos os momentos, que ele e o filho de Deus estão envolvidos romanticamente, chamando-o em um momento, inclusive, de “capricorniano travesso”. Foi o suficiente para atiçar a ira de cristãos, políticos e pastores, culminando no ataque à sede da produtora dos comediantes.

O tema entrou no radar dos ultraconservadores também fora do Brasil. Nesta quarta-feira, o vice-premiê da Polônia, Jaroslaw Gowin, também pediu no Twitter que a Netflix retire do ar o especial natalino, que está no catálogo global da plataforma. Gowin mencionou Reed Hastings, CEO e cofundador da Netflix, e anexou uma petição online do país, com mais de 1,4 milhão de pessoas que solicitam a retirada da produção do serviço de streaming.

Jarosław Gowin@Jaroslaw_Gowin
 
 

Reed Hastings: Żądamy, by Netflix usunął bluźnierczy film ze swojej platformy! - Podpisz: http://www.citizengo.org/pl/rf/175913-zadamy-netflix-usunal-bluznierczy-film-ze-swojej-platformy?utm_source=tw&utm_medium=social&utm_content=typage&tcid=64430128 

Żądamy, by Netflix usunął bluźnierczy film ze swojej platformy!

Każdego roku brazylijska grupa "komediowa" "Porta dos Fundos" („Tylne drzwi”) produkuje na święta Bożego Narodzenia film, którego celem jest atakowanie chrześcijan i chrześcijaństwa. W tym roku w

citizengo.org
 
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Interpol busca suspeito de ataque

Nesta quarta-feira, a Polícia Federal incluiu o nome do economista e empresário Eduardo Fauzi, suspeito de atacar a sede do Porta dos Fundos, na lista da Interpol, que permite que ele seja preso por qualquer força policial do país em que esteja. Fauzi está foragido desde 31 de dezembro, quando a Polícia do Rio tentou cumprir o mandado de prisão contra ele expedido pela Justiça uma semana depois do ataque com coquetel molotov na véspera de Natal. De acordo com a Polícia, o empresário fugiu para a Rússia no dia 29 de dezembro.

Uma autoridade brasileira em Moscou, que não quis se identificar, já iniciou as tratativas com o Governo russo para a extradição de Fauzi, conforme informou a Globo News. Oficialmente, o Itamaraty comunicou que ainda não entrou em contato com a Rússia e que o pedido de extradição cabe ao Poder Judiciário. Por sua parte, o Ministério da Justiça disse que a Justiça do Rio de Janeiro já pediu formalmente à pasta e ao Itamaraty a extradição do suspeito.

fonte: https://brasil.elpais.com/cultura/2020-01-08/desembargador-do-rio-mandar-retirar-especial-do-porta-dos-fundos-do-ar-para-acalmar-animos.html


 

A censura, de volta ao Pasquim

A turma do Pasquim, entre eles Millôr Fernandes, Henfil, Ziraldo, Paulo Francis, Luís Carlos Maciel, Sergio Augusto, Jaguar, Ivan Lessa, Fausto Wolff, fez história nos anos em que vivemos num regime de ditadura militar.

Lançado em 1969, sofreu com a censura que tinha como objetivo não somente proibir qualquer brincadeira com os militares, como asfixiar o jornal até a morte. Cinquenta anos depois, a censura volta a implicar com o tabloide, que circulou até 1991. Vamos explicar: Para comemorar os 50 anos do lançamento do Pasquim, o Sesc Paulista organizou uma exposição com os melhores textos e cartuns do jornal, além de hilárias capas. Uma verdadeira linha do tempo.

O programa Fique Ligado, da TV Brasil, emissora estatal, colocou na pauta a exposição e a reportagem foi feita pela equipe de São Paulo. Editado, o programa foi gerado para Brasília e lá sofreu os cortes, a censura. Sumiu do vt original, o episódio que conta a prisão de praticamente toda a redação do jornal, provocada por um cartum que mostrava Dom Pedro gritando à beira do Ipiranga: “Eu quero mocotó!” em alusão a uma música de sucesso do maestro Erlon Chaves.

A censura da TV Brasil cortou também a sonora de uma visitante que afirmava que “faz falta hoje em dia um jornal como o Pasquim”. E mais: a tesoura cortou também um trecho em que a repórter dizia que “o jornal irritou a ditadura militar”. A Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) argumentou que os cortes foram feitos para que o programa ficasse no tempo estabelecido pelo script do programa Fique Ligado.

fonte: https://nocaute.blog.br/2020/01/08/a-censura-de-volta-ao-pasquim/

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