Cursos e Debates

 

Biblioteca Hipátia

TV Cidadania Livre

 

Reviravolta no Oriente Médio: os curdos podem resistir

Surge brecha para que prossiga admirável experiência de autonomia política e feminismo no Curdistão. Invasão turca, tramada com os EUA, estanca diante da reação síria. Turcos temem isolamento e possível confronto com a Rússia

OUTRASPALAVRAS

Publicado 16/10/2019 às 16:51 - Atualizado 16/10/2019 às 17:26


Coluna de combatentes das Brigadas de Proteção do Povo Curdo (YPG). Nas mãos, a bandeira da guerrilha
 

Os guerrilheiros autonomistas do Oriente Médio, cuja ideologia combina marxismo e anarquismo e que, traídos pelos EUA, pareciam prestes a sucumbir até há poucos dias, podem ter uma chance. Quem conta, num artigo publicado hoje, em Counterpunché o veterano jornalista irlandês Patrick Cockburn, sem dúvida o correspondente e analista ocidental melhor informado sobre Síria e Iraque.

Cockburn, que é autor de A Origem do Estado Islâmicorelata que as tropas turcas avançaram rapidamente sobre o Curdistão sírio (no norte deste país), a partir de terça-feira passada, 9/10. O ataque foi deflagrado imediatamente após o famigerado telefonema em que Donald Trump deu sinal verde ao presidente turco, Recipp Erdogan, para a invasão. Soldados e tanques de Ancara rapidamente penetraram na região autônoma de Rojava, acompanhados de milícias. O plano era claro: promover limpeza étnica na região; afastar os curdos (que a Turquia chama de “terroristas”); instalar milhares de refugiados sírios, que migraram provisoriamente para a Turquia nos últimos anos, fugindo da guerra civil em seu país. Mas Erdogan não contava com um fato novo.

A surpresa, continua Cockburn, foi a rápida reação do presidente sírio Bashar Assad. No domingo, 13/10, ele anunciou que seu exército rumaria para o norte do país, para evitar a invasão turca. Pode fazê-lo devido a algo ainda mais inesperado: um acordo com os curdos, perseguidos pela Síria durante longos anos – mas subitamente aliados, diante da ameaça comum representada pela Turquia. O jornalista relata que o exército sírio também entrou em Rojava, ocupando cidades como Manbij e Kobani, próximas ao rio Eufrates, e Qamishli e Hasakah, na fronteira com o Iraque.

A Turquia tem o segundo maior exército da OTAN, enquanto as forças armadas da Síria mal acabaram de vencer uma guerra interna. Porém, explica Cockburn, dois fatores impedem Ancara de avançar. O primeiro é o enorme repúdio internacional contra o ataque aos curdos. Todos os que acompanham o Oriente Médio, frisa o jornalista, conhecem a bravura e a importância da luta das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) na luta contra os terroristas do Estado Islâmico (ISIS). E a invasão do Curdistão por Ancara foi tão descuidada que permitiu, entre outros feitos, a fuga de centenas destes terroristas, ultrafundamentalistas que haviam sido aprisionados pelos curdos. A repulsa foi tão forte, aliás, que, na segunda-feira, o próprio Donald Trump pediu a Erdogan que cessasse o ataque, num ziguezague desconcertante.

O segundo fator que dissuade a ofensiva turca é a retaguarda militar que a Rússia dá a Damasco. Foi o entrada de Moscou na guerra civil síria, a partir de setembro de 2015, que impediu a vitória do Estado Islâmico, salvou o país da desagregação completa e protegeu o regime de Bashar Assad. A aliança russo-síria é, portanto, firme – e contra o poderio de Moscou, Erdogan não parece se atrever. O mais provável, diz Cockburn, é que encontre alguma maneira de cantar vitória, para o público interno – e se retire…

Os curdos podem ter algum alívio. O acordo com Assad, é claro, será sempre frágil e perigoso. Mas vale a pena prestar atenção neste povo peculiar e em suas invenções política notáveis. São cerca de 30 milhões de pessoas, que nunca tiveram um Estado na era moderna, mas mantêm língua e cultura há mais de dois milênios. Espalham-se por um território que engloba partes do Iraque, Irã, Síria e Turquia. Sua organização política é heterogênea. Particularmente no norte da Síria, constituíram a região autônoma de Rojava. Aí, a influência política predominante é do antigo, Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), organização marxista perseguida pela Turquia.

Porém, este partido passou por uma metamorfose notável, sob liderança de sua referência principal, Abdullah Öcalan. Condenado à prisão perpétua desde 1999 (sua sentença inicial, comutada, foi pena de morte), estuda e escreve fartamente (mais de 40 livros) no cárcere. Sem perder os laços com o marxismo, aproximou-se também de ideias anarquistas, feministas e federalistas. Sob sua inspiração, Rojava constituiu uma federação de comunidades autônomas, regida por conselhos e com marcante presença política das mulheres. A experiência está descrita em diversos textos publicados por Outras Palavras (1 2 3 4)e no livro A Revolução Ignorada.

O acordo com a Síria mostra que os curdos de Rojava foram capazes, também, de desenvolver importantíssima inteligência tática. Num mundo em crise civilizatória, e num Oriente Médio conflagrado, é um alento saber que existem e resistem.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROSQUINHENTOS

 

fonte: https://outraspalavras.net/outrapolitica/reviravolta-no-oriente-medio-curdos-podem-resistir/


Por que os EUA traíram a guerrilha curda

Autonomistas e igualitárias, brigadas do YPG foram essenciais contra o Estado Islâmico. Agora, são entregues por Trump à Turquia. Movimento favorece o terror, conturba a Síria e sugere: quando não controla, Washington prefere devastar

Por Patrick Cockburn, no Counterpunch | Tradução: Gabriela Leite

MAIS, SOBRE O CURDISTÃO REBELDE:
Os segredos da guerrilha curda contra o ISIS
David Graeber narra a revolução de Kobane
O surpreendente Curdistão libertário
Contra o extremismo islâmico, uma revolução

“Nunca entre num poço com uma corda norte-americana” diz o ditado que tem se espalhado pelo Oriente Médio, como resposta ao abandono, pelos EUA, de seus aliados curdos na Síria, às forças invasoras da Turquia. As pessoas que vivem na região, de maneira geral, têm uma atitude cínica em relação à lealdade de grandes potências a seus amigos locais, mas mesmo elas ficaram chocadas com a velocidade e crueldade com que Donald Trump abriu campo para o ataque turco.

De acordo com a ONU e grupos de direitos humanos, dezenas de milhares de refugiados curdos estão fugindo de suas cidades na fronteira e estão sendo alvo dos ataques aéreos e artilharia turca. A maior parte dos governantes que são complacentes com a limpeza étnica estão em silêncio sobre esses acontecimentos, mas Erdogan, o presidente da Turquia, declara abertamente que vai instalar dois milhões de refugiados árabes sírios de outras partes do país nas terras curdas (ele diz que descobriu que aquela terra na verdade não pertence aos curdos).

Cada envio de notícias desta nova zona de guerra é cheio de ironias. Trump diz que a Turquia será responsável por custodiar os milhares de terroristas do Estado Islâmico (Isis), que eram mantidos presos pela guerrilha das Unidades de Proteção Popular (YPG) curdas. Mas Brett McGurk, ex-conselheiro presidencial para a coalizão anti-Estado Islãmico — e a fonte para o ditado sobre a falta de confiabilidade da corda dos EUA — nota que, no passado, foi a Turquia quem rejeitou “qualquer cooperação séria a respeito o Estado Islâmico, mesmo quando 40 mil combatentes estrangeiros utilizaram seu território para penetrar na Síria”.

Há outras ironias por vir. Mais ou menos no mesmo momento em que o exército turco cruzava a fronteira síria para atacar as unidades do YPG, na quarta-feira (9/10), essas forças curdas estavam sob ataque de um inimigo diferente: na ex-capital de facto do Estado Islâmico, Raqqa, dois terroristas com rifles automáticos, granadas e cintos explosivos abriram fogo contra a YPG, que havia controlado a cidade desde que a capturara do Isis em 2017, ao custo de 11 mil vidas.

Nessa ocasião, os dois membros do Isis estavam cercados pelo YPG, que ao final saiu por cima. Mas no futuro, seus soldados — é absurdo chamá-los apenas de guerrilheiros, já que são alguns dos soldados com mais experiência no Oriente Médio — enfrentarão uma tarefa mais difícil. Além de lutar contra o Isis ao nível terrestre, terão que ficar atentoa ao céu, à espera de ataques aéreos turcos que já começaram a acertar unidades de YPG ao norte de Raqqa. Inevitavelmente, partes do antigo califado vão em breve começar a voltar ao comando do Estado Islâmico.

O ressurgimento do Isis e o destino de milhares de seus prisioneiros, mantidos pelo YPG, tem sido o foco de muitas especulações autocentradas nos EUA e Europa. Mas essa é apenas uma das consequências do caos trazido pela invasão turca; não haverá substituição do controle curdo-americano pelo controle turco.

Nessa área enorme — 25% da Síria que está a leste do rio Eufrates — a Turquia será um grande ator, porém não será toda-poderosa. Pode tentar traçar seu caminho através do nordeste da Síria, utilizando uma tática salame, uma fatia por vez, apesar de que isso ainda vai gerar um grande impacto sobre os curdos, já que 500 mil deles moram próximos à fronteira. Na realidade, a fronteira entre os turcos e os curdos vai simplesmente ser empurrada para o sul, e será uma oferta muito mais quente do que era antes.

Em outras palavras, o resultado inevitável do sinal verde do presidente Trump à ação turca — neste caso, a ausência de sinal vermelho teve o mesmo efeito — significa fragmentação de poder. Essa fragmentação vai limpar o caminho para a criação de um Isis renovado, e o ataque em Raqqa, mencionado acima, é a evidência de que esse renascimento já começou.

Outra característica da crise atual favorece o Isis e forças paramilitares como a al-Qaeda a agirem como representantes da Turquia. Os mapas que mostram o nordeste da Síria como “controlados pelos curdos” mascaram o fato de que há um razoável equilíbrio demográfico entre árabes e curdos na região. Rivalidade e ódio étnicos são a essência de políticas locais, e se tornarão ainda mais venenosos e decisivos, à medida em que as comunidades tiverem que escolher entre turcos e curdos. É esse tipo de terreno político fragmentado em que Isis e Al-Qaeda tradicionalmente florescem.

O equilíbrio de poder na Síria foi transformado pela invasão turca e pela falta de vontade ou incapacidade de interrompê-la. Trump deixou claro que quer cair fora da guerra da Síria. “Os EUA nunca deveriam ter entrado no Oriente Médio”, o presidente tuitou essa semana. “Essas guerras estúpidas e infindáveis, para nós, estão chegando ao fim.” Apesar disso, o mundo tem sido curiosamente lento para levar a sério esse isolacionismo e aversão a ações militares.

No que diz respeito à Síria, a política — apesar de que é tão incoerente que está mais para um conjunto de atitudes — de Trump pode ser traiçoeira com os curdos, mas contém um tantinho de realismo sem coração.

A posição dos EUA na Síria é fraca, e não é realmente sustentável a longo prazo. Forças norte-americanas mínimas não poderiam sustentar indefinidamente um Estado curdo de facto, espremido entre uma hostil Turquia ao norte e um governo sírio quase igualmente hostil ao sul e ao oeste.

establishment da política externa dos EUA pode estar horrorizado com Trump, que abriu mão dos curdos, e interessado em que, ao invés disso, confronte a Rússia e o presidente Bashar al-Assad, da Síria. Mas isso só poderia ter sido feito com um comprometimento militar e político muito maior dos EUA — algo que nem o congresso nem os cidadãos norte-americanos desejam.

McGurk provavelmente está correto em acreditar que as vendas de cordas norte-americanas, como maneira de escapar de poços profundos, cairão muito no Oriente Médio, a partir de agora. Aos olhos do resto do mundo, os EUA sofreram uma derrota na Síria. A imagem de comboios de curdos aterrorizados em fuga lembra as fotos de vietnamitas desesperados, que haviam trabalhado tão intimamente com norte-americanos, tentando escapar de Saigon, em 1975.

Os cursos sempre foram secretamente cínicos em relação a sua aliança com os EUA, mas acreditavam não ter outra opção. Mesmo assim, não esperavam ser descartados tão total e abruptamente.

Ainda assim, pode ser que a crueldade e injustiça das ações norte-americanas, e o furor que isso provocou nos EUA e internacionalmente, façam algum bem aos curdos sírios. Certamente, a raiva expressada por todo lado está em grande contraste ao desinteresse nacional de quando a Turquia assumiu e fez uma limpeza étnica do pequeno enclave curdo de Afrin, no noroeste da síria, ano passado. 

Mas há uma lição mais ampla que temos que aprender com a última fase da crise síria. Por um momento, pareceu que a violência estava decaindo, à medida em que apareceram os vencedores e perdedores. Mas agora todo um novo ciclo da violência turco-curda está começando. Apenas quando todos os múltiplos conflitos na Síria forem levados ao fim, o país vai cessar de gerar novas crises. 

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROSQUINHENTOS 

fonte: https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/por-que-os-eua-trairam-a-guerrilha-curda/


Kurdistán: “Las mujeres son el eje principal de nuestra revolución antipatriarcal, ecológica y democrática”

 

En el marco del 34º Encuentro plurinacional de mujeres, lesbianas, trans, travestis y no binaries, tuvimos la oportunidad de entrevistar Dilan Bozgan, feminista kurda que formó parte del panel de feministas del Abya Yala, donde compartió la dura realidad del pueblo kurdo luego de la avanzada del ejército turco.

-¿Cómo está la situación actual del pueblo de Kurdistán luego de la ofensiva del gobierno turco?

-El ejército turco está en la frontera entre Turquía y Siria y está lanzando un ataque muy fuerte, con armas bastantes desarrolladas contra el norte de Siria, en Rojava, que es una zona liberada por las autodefensas kurdas desde hace unos años. Ahora están atacando no solamente a las milicias kurdas, sino también a los civiles. No están distinguiendo a nadie en su ataque para avanzar a la frontera hacia dentro del norte de Siria

Está muy difícil la situación porque está muriendo mucha gente y hay muchas personas están dejando sus casas para huir a otros lados. Pero también hay una gran resistencia no solamente por parte de las milicias kurdas, ni de las Unidades de Protección del Pueblo y de la Mujer (YPG/YPJ), sino también por parte de la gente y el pueblo kurdo que está defendiendo su vida libre y digna. Bienestar que se fue desarrollando desde hace unos años en Rojava, donde existe una revolución con un planteo ideológico político, que es el Confederalismo Democrático. Este sistema político pretende una convivencia entre los diferentes pueblos que hay en la región, convivencia encabezada por las mujeres. Es un planteo que pretende traer y establecer la paz y una vida pacífica y digna en la región. Este ataque no sólo debe entenderse como un ataque militar, sino también como un ataque ideológico por parte de Turquía en complicidad con otras fuerzas imperialistas de la zona, como los Estados Unidos que dejaron liberada la zona el domingo pasado, lo que permitió el avance al Estado turco. Está también la complicidad (que no sabemos hasta qué grado existe, pero lo cierto es que la hay) por parte de Rusia, Turquía, Irán y Estados Unidos.

Además del pueblo kurdo, existen también otros pueblos con sus culturas afectados por esta avanzada militar, como son los chechenos, los árabes, los armenios, los asirios y muchos otros pueblos que están conviviendo en este lugar y construyendo una salida a toda esa destrucción, desde hace más de cinco o seis años. Se está construyendo una vía alternativa en paz y digna encabezada por las mujeres y esto es lo que ahora se está intentando destruir.

-¿Cómo podrías definir el rol de las mujeres y cómo fue la toma de acción que tuvieron las mujeres en la revolución kurda?

-Últimamente se hizo famosa la toma de armas por parte de las mujeres, pero no se puede pensar solamente en ese sentido, porque es en realidad una construcción de una vida alternativa por parte de las mujeres. El eje de género no es solamente que las mujeres tengan un rol, sino que ellas son el eje principal de esa revolución antipatriarcal, ecológica y democrática. Éstas son los tres principales ejes vistos desde una perspectiva femenina para acabar con esta invasión de ahora, y con todas las guerras y masacres que tuvimos durante cientos y cientos de años. Quiero que quede en claro que no solamente es una autodefensa la unidad de las mujeres, sino que implica todos los aspectos de la vida; hay cooperativas de mujeres, las mujeres están representando en todos los ámbitos políticos y en las asambleas del pueblo, y somos una totalidad no se puede reducir a una milicia.

-Nuestro pueblo que está marcado por la visión occidental y cuando les hablas de Medio Oriente se mezclan muchos prejuicios sobre todo difundidos por los medios hegemónicos, así como estereotipos como el de terrorismo. En ese sentido, hablando de lo histórico de cómo los pueblos vienen viviendo y coexistiendo de forma pacífica, ¿hay alguna manera de sintetizar el origen del conflicto?

-A veces se entiende que había una existencia de convivencia pacífica en los siglos pasados, pero tiene que estar en claro que estos pueblos vivieron bajo el Imperio Otomano y tampoco fue un estado ideal. Lo que pasa es que después de la Primera Guerra Mundial se establecieron las fronteras, lo que dejó al pueblo kurdo dividido entre cuatro estados nación que son Turquía, Irán, Irak y Siria.

Eso significó la imposición de una ideología que tiene sus raíces en el pensamiento occidental modernista, que se basa en la idea de los estados nación, en la idea de desarrollo, que no funciona básicamente en Medio Oriente, porque estamos hablando de pueblos y etnias que viven juntos con diferentes religiones y culturas. La ideología de Estado-nación establece que a partir de ahora somos todos turcos, o lo que sea, y no es así. Esta es la raíz del conflicto que hay ahora y eso explica la raíz del ataque del Estado genocida turco. A principio del siglo fueron los armenios que fueron derrotados de la región y ahora les toca a los kurdos.

Esa es la diferencia con América Latina, porque nuestros países se definen a través de una etnia dominante, la cual no reconoce a los otros y lo que pasa es que a todo el pueblo kurdo lo señalan como terroristas o nos tratan de mostrar como terroristas y nosotros no hacemos más que defender nuestra vida y nuestra existencia. No somos terroristas, somos kurdos y estamos defendiendo nuestra vida. Y no sólo eso sino también la vida en general, la humanidad en general en la región. Fueron nuestras milicias y nuestro pueblo los que resistieron los ataques perversos del Isis en su momento y ahora con este ataque de Turquía, los de ISIS también empezaron a atacar. Ayer, por ejemplo, realizaron un ataque en un cantón de Rojava y mataron a muchos civiles, entre ellos a una dirigente de un partido político kurdo.

-¿Ustedes creen que el encuentro que se está tejiendo hoy acá tiene que ver con el feminismo internacionalista que ustedes proponen?

-La ideología del Estado-nación pretende monopolizar las existencias diferentes de todo el mundo, no es una cuestión exclusivamente de Medio Oriente, ni tampoco de América Latina, sino del mundo. Hay clases y etnias, naciones dominantes que quieren exterminar y acabar con las otras formas de vida que existen en el mundo y lo estamos viendo en Ecuador, lo estamos viendo en Colombia, en Kurdistán, en África y en muchos lados.

Están atacando las otras formas de vida alternativas que existen y me parece que es muy importante lo que están haciendo las mujeres argentinas feministas acá en este encuentro llevando adelante esta propuesta de plurinacional. Tampoco es una lucha que se da en un día, sino que es una lucha de años y años, nosotros estamos luchando hace 40 años en Kurdistán y esto va a llevar mucho tiempo, pero veo que las mujeres acá están dispuestas a llevan adelante esta lucha. Creo que hay muchas coincidencias en nuestra propuesta ideológica que es el Confederalismo Democrático con lo de plurinacional, con diferentes maneras de expresar algo similar no sólo ideológicamente sino que es un reconocimiento de formas de vida diferentes, formas de existencia. Lo comparo con lo que está pasando hoy por hoy en Ecuador que es un exterminio en este sentido. Acá en América Latina se llevan a cabo por paquetazos o medidas económicas y allá por políticas étnicas de exterminio, pero al fin y al cabo pretenden lo mismo: destruir la vida en su diversidad y generalidad, la memoria de la humanidad.

 

 

FUENTE: Anred

http://kurdistanamericalatina.org/kurdistan-las-mujeres-son-el-eje-principal-de-nuestra-revolucion-antipatriarcal-ecologica-y-democratica/

 

 

Últimas Notícias

CopyLeft Cidade Livre 2019 - Comunidade Livre de Aprendizagem