Cursos e Debates

 

Biblioteca Hipátia

TV Cidadania Livre

 

Arlete Sampaio: A des-humanização da saúde pública no Distrito Federal

15 de julho de 2019 15:16

 Arlete Sampaio – Deputada Distrital PT/DF
 

O Plano Bandeira de Melo para a construção de um sistema de saúde pública para o Distrito Federal era um plano revolucionário que defendia a descentralização dos serviços e o atendimento integral e universal. Antecedia as recomendações da Conferência de Alma-Ata e mesmo o que veio a ser o SUS – regulamentado nas Leis nº 8.080 e 8.142 de 1990.

Esse Plano foi revisto, atualizado e, finalmente, implantado nos primeiros anos da década de 1980, na gestão do Secretário de Saúde Jofran Frejat. Assumi, por concurso público, em 1981 a função de Médica Sanitarista da Fundação Hospitalar do DF. Fui Chefe de Centros de Saúde e Vice-Diretora do Hospital Regional de Ceilândia. Fui Coordenadora de programas de Saúde Pública, o último deles o Programa de Dermatologia Sanitária, responsável pela coordenação de controle da Hanseníase.

Como Vice-Governadora acompanhei muito de perto a implementação do Saúde em Casa, experiência esta que garantia de fato um atendimento humanizado e, por sua vez precursor da Estratégia Saúde da Família.

A partir de 1999, com a grande reforma administrativa feita pelo Governo Roriz, a partir do desmonte da Fundação Hospitalar, a Saúde Pública veio numa deterioração crescente.

O Governador Rollemberg, através da Lei nº 5.899 de 2017 mudou o regime jurídico do Hospital de Base do DF transformando-o em Instituto. Essa Lei no seu inciso VII do artigo 2º, deixava as portas abertas para um processo de terceirização e quarteirização da nossa Saúde. Durante a campanha eleitoral o então candidato Ibaneis esconjurou o tal Instituto, mas ao assumir o mandato teve como uma de suas primeiras ações a aprovação da Lei nº 6.270 de 2019 que criou o Instituto de Gestão Estratégica da Saúde, a partir da mesma Lei nº 5.899 do Governo Rollemberg.

Temos hoje uma situação absurdamente crítica na Saúde Pública. Realizamos uma Audiência Pública na Câmara Legislativa do Distrito Federal para tentar entender qual o projeto se desenhava, mas, infelizmente, ele não ficou evidenciado.

O certo é que hoje as pessoas estão padecendo, sem assistência. A porta de entrada do sistema está obstruída, as emergências estão superlotadas e os paciente completamente desrespeitados sendo obrigados a fazer verdadeiras peregrinações pelas unidades de saúde. Pessoas em estado grave são devolvidas dos Hospitais. Pacientes com câncer, que aguardam cirurgias, não são acompanhados em suas intercorrências, ou não são avaliados clinicamente enquanto aguardam a cirurgia. Os pronto-socorros hiperlotados mais parecem hospitais-de-campanha. A Atenção Básica necessita de equipes completas, capacitadas e motivadas para acolher e atender bem aos moradores de sua área de abrangência.

A demora no atendimento da rede pública de saúde ocasionou 33 mortes por dengue até o mês de junho deste ano, além do agravamento da situação de pacientes que poderiam ser controlados. A dengue é uma doença controlável e tratável, desde que, o atendimento seja rápido e eficaz. Entre janeiro e junho deste ano 621 pessoas foram vítimas de gripe, com muitos casos agravados pela demora no atendimento e 29 foram a óbito. A des-humanização da saúde pública no Distrito Federal é um desrespeito com a população que busca acolhimento e atendimento de saúde, uma dimensão básica da cidadania.

Ainda aguardamos respostas. A Saúde que seria uma prioridade do Governo, clama por atenção. Os pacientes clamam por atendimento humanizado. Não é o que está acontecendo. A saúde pública no DF, hoje, é um direito negado.


Arlete Sampaio – Deputada Distrital PT/DF

 

fonte: https://arletesampaio.com/destaque/a-des-humanizacao-da-saude-publica-no-distrito-federal/?fbclid=IwAR2RheqmD1H2co1AfsztQV2oUxvGds9x6rZI7RrOMxBAHVAAt5dm_Ruh_Cg

 

 

Últimas Notícias