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Área devastada da Amazônia nunca será capaz de recuperar o seu bioma original

Avanço da pecuária pode ser o principal responsável por danos irreversíveis ao meio ambiente.

“O que é preciso entender sobre o desmatamento é que, por mais que seja importante pensar em formas de impedi-lo e também de reflorestar, um local devastado nunca será capaz de recuperar o seu bioma original”. A afirmação é de André Cutrim, professor de Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A reportagem é de Catarina Barbosa, publicada por Brasil de Fato, 21-11-2019.

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na última segunda-feira (18) apontam para a aceleração do desmatamento na Amazônia, no último ano. Nos nove estados da Amazônia Legal Brasileira houve uma destruição da floresta 42,8% maior do que era previsto pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), em medição realizada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

Isso representa uma área desmatada de 9.762 quilômetros quadrados (km²) no período de agosto de 2018 a julho de 2019, segundo o Prodes. A área equivale a quase nove vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Cutrim explica que, atualmente, a pecuária é a maior responsável pelo desmatamento na Amazônia. Para ele, é convencer pecuaristas a investirem em tecnologia avançada para evitar a degradação do solo, desenvolvendo uma pecuária com manejo dos pastos.

No entanto, os empresários encaram a questão apenas como um custo monetário: “Esse é o motivo de, muitas vezes, o pecuarista continuar avançando fronteira adentro”, já que o custo-benefício da expansão, em um primeiro momento, é maior do que a busca por alternativas de recuperação do solo.

De acordo com o pesquisador, isso ocorre porque, quando o dano já está feito, só é possível recuperar uma área devastada “com tecnologia de ponta, e isso requer muito investimento”. Do mesmo modo, ele enfatiza que não há políticas de desenvolvimento tecnológico ou de incentivo à recuperação do solo e, assim, a região se mantém presa a uma rotina de desmatamento.

O Brasil de Fato procurou o Ministério do Meio Ambiente para saber quais medidas estavam sendo desenvolvidas para conter o desmatamento, mas fomos informados de que o Ministro Ricardo Salles faria uma coletiva para apontar os rumos para sanar o problema. Até agora, nada foi anunciado.

Ainda segundo o especialista da UFPA, há uma série de tecnologias de ponta desenvolvidas na Amazônia para minimizar os impactos da destruição da floresta e principalmente do solo. Contudo, o avanço do desmatamento impede qualquer aplicação prática de recuperação da floresta.

Segundo o climatologista Carlos Nobre, o desmatamento pode fazer com que a floresta chegue a um ponto de não conseguir mais se recuperar. Caso o ritmo de devastação se mantenha, isso ocorreria entre 15 e 30 anos.

fonte: http://www.ihu.unisinos.br/594570-area-devastada-da-amazonia-nunca-sera-capaz-de-recuperar-o-seu-bioma-original


 

Amazônia. A realidade devastadora

"A realidade vai continuar insistindo em existir, apesar do discurso do governo Bolsonaro. Bom para a verdade, mas ruim para a Amazônia, que paga muito caro pela intolerância dos que só veem o que querem que seja verdade, não importa o seu custo", escreve Lúcio Flávio Pinto, jornalista desde 1966, sociólogo formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em 1973, e editor do Jornal Pessoal, em artigo publicado por Amazônia Real, 20-11-2019.

Eis o artigo.

Depois de vencer a eleição para presidente da república no ano passado, Jair Bolsonaro atacou duramente os órgãos de fiscalização, como o Ibama e o ICMBio, além da legislação ambiental e as ONGs. Anunciou que dentre as suas primeiras iniciativas estaria as de acabar com o “ativismo ambiental xiita” e enfrentar a “farra das multas ambientais”. Ficaria ao lado do agronegócio e das atividades produtivas no meio rural para expandir a fronteira econômica do Brasil, avançando inclusive sobre unidades de conservação e reservas indígenas.

O resultado foi imediato. Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento na Amazônia cresceu 29,5% em comparação com os 12 meses anteriores. Sete meses desse período de um ano foram sob o governo Bolsonaro. Ao todo, a floresta perdeu uma área de 9.762 km² (mais de nove vezes a área de Belém, a capital do Pará, o Estado mais devastado da região). É a maior taxa de desmatamento registrada desde 2008.

Os dados são do Prodes, o sistema de monitoramento por satélite utilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que fez o anúncio do resultado. Atente-se que a maior parte dos cinco meses de 2018, durante o governo Temer, são do final do verão e o início das chuvas, quando queimadas e desmatamentos diminuem bastante na Amazônia.

Há ainda outro fator: em dois meses de Bolsonaro, o governo federal foi obrigado a retroceder no estímulo dado aos desmatadores, em virtude da reação internacional a imagens chocantes de grandes incêndios criminosos veiculados pelas mídias. Forças-tarefas tiveram que ser organizadas para ir aos locais mais afetados pelo fogo, contando com o apoio das forças armadas, graças à decretação do estado de emergência.

Extrator de madeira no Acre. (Foto: Katie Maehler/Mídia Ninja)

Com todas essas circunstâncias, o aumento de 29,5% foi o terceiro maior da história do monitoramento por satélite dos desmatamentos, iniciado oficialmente em 1988 (embora tenha atuado no ano anterior, excluído da história oficial, talvez porque foi o maior de todos os tempos, com 80 mil km2 de floresta nativa derrubada); 2019 ficou atrás apenas das altas de 1995 (95%) e 1998 (31%).

O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, tentou atenuar a ênfase no governo Bolsonaro: “O número está seguindo uma tendência de aumento desde 2012”, disse, imediatamente depois que o diretor interino do Inpe, Darcton Policarpo Damião, anunciou os dados em uma coletiva de imprensa, na sede do órgão, em São José dos camposSão Paulo.

Os próprios números do Inpe, entretanto, mais uma vez o desmentiram, apesar dos ataques virulentos que fizeram a essa estatística, levando o então diretor, Ricardo Galvão, a pedir demissão. A taxa registrada entre 2018/19 ficou pelo menos 1,5 mil km² acima da tendência de aumento do desmatamento que vinha sendo registrada a partir de 2012. Se essa média se mantivesses, a área destruída teria sido de 8.278 km².

A tendência para o próximo período de 12 meses parece que vai continuar a ser de crescimento, já entre agosto e a primeira semana de novembro o sistema de alertas do Inpe registrou quase quatro mil quilômetros quadrados (3.929 km2 no número exato) desmatados, 57% de tudo que foi desmatado entre agosto de 2018 e julho de 2019.

Pelo jeito, a realidade vai continuar insistindo em existir, apesar do discurso do governo Bolsonaro. Bom para a verdade, mas ruim para a Amazônia, que paga muito caro pela intolerância dos que só veem o que querem que seja verdade, não importa o seu custo.

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fonte: http://www.ihu.unisinos.br/594548-a-realidade-devastadora


Desmate em unidades federais protegidas sobe 84% e supera média de toda a Amazônia

 

desmatamento da Amazônia em áreas protegidas (unidades de conservação federais e estaduais) e em terras indígenas, onde, por lei, não poderia ocorrer retirada da floresta, foi ainda maior do que a média registrada em todo o bioma no último ano. Se forem consideradas somente as UCs federais, cuja fiscalização é de competência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, a derrubada das árvores cresceu 84% entre agosto de 2018 e julho de 2019, se comparada com o volume dos 12 meses anteriores.

A reportagem é de André Borges e Giovanna Girardi, publicada por O Estado de S. Paulo, 22-11-2019.

desmate nas Unidades de Conservação (parques, florestas e reservas) como um todo teve alta de 35% entre agosto de 2018 e julho deste ano (saltando de 767 km² para 1.035 km²); já nas terras indígenas, o aumento foi de 65% (de 260,6 km² para 429,9 km²), segundo dados preliminares do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mostram as taxas oficiais de desmate.

Houve 412 km² de corte raso dentro das florestas protegidas pelo governo federal, ante 223 km² do período anterior, conforme informações oficiais apuradas pelo Estado. O crescimento no ataque às unidades de conservação entre agosto de 2018 e julho de 2019 fez deste o pior período dos últimos 14 anos, só ficando atrás do volume registrado em 2005, quando 586 km² foram derrubados.

Considerando todas as UCs, a unidade mais comprometida foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, gerida pelo Pará. Ela faz parte do mosaico da Terra do Meio, no entorno da BR-163. Foi naquela região que houve o Dia do Fogo, no começo de agosto, que ajudou a impulsionar as queimadas no bioma.

Dentro dessa APA ocorreu o maior polígono de desmatamento de toda a Amazônia: uma área de 4,5 mil hectares (45 km²) foi suprimida de uma vez, segundo imagens do Prodes. Houve ainda outro corte de 3,2 mil hectares este ano.

A maior parte dos desmatamentos da Amazônia em geral ocorre em parcelas de até 50 hectares, estratégia que ajuda a driblar a fiscalização. Neste ano, porém, notou-se aumento de polígonos com mais de 500 hectares. Levantamento feito pelo site de jornalismo de dados Infoamazonia, compartilhado com o Estado, mostra que entre as 36 áreas desmatadas com mais de mil hectares em 2019 em toda a Amazônia, 12 estão em unidades de conservação ou terras indígenas – ao menos parcialmente.

Dessas, seis estão na APA Triunfo do Xingu – e duas ocupam área da Estação Ecológica Terra do Meio. Há ainda uma na Terra Indígena Baú, que fica ao lado da Terra do Meio, e outras duas na Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também na região.

Em outros pontos da Amazônia, chamam a atenção, segundo a Infoamazonia, um corte de 2,1 mil hectares no Parque Nacional dos Campos Amazônicos e um outro de 1,3 mil na Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá, em Rondônia. Entre as terras indígenas, a mais devastada foi a de Ituna/Itatá, na região de Altamira, no Pará. Foram tirados 8% (12 mil ha) dos 142,5 mil hectares. A gestão Jair Bolsonaro planeja formas de flexibilizar o manejo de terras indígenas.

Questionado, o Ministério do Meio Ambiente não se manifestou até as 21 horas de ontem.

Entorno da BR-163 é área com maior desafio

Segundo o pesquisador Paulo Barreto, do Imazon, todo o entorno da BR-163 é fronteira de expansão da grilagem e da pecuária há alguns anos, com vários frigoríficos próximos que compram carne obtida de modo ilegal. Já o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Mauro de Almeida, disse que as regiões de São Felix do Xingu, de Novo Progresso e de Altamira são os principais desafios para o combate ao desmate no Estado. Segundo Almeida, após o corte de 4,5 mil hectares na APA Triunfo do Xingu, três pessoas foram presas. “Abortamos o problema nos 4,5 mil hectares, porque, na verdade, estavam contratados 20 mil hectares de desmatamento”, disse.

APA é categoria de conservação branda, pois permite a permanência de algumas propriedades privadas dentro. E não há um plano de manejo para estimular a conservação com medidas especiais, como pagamento por serviços ambientais. A conservação dependeria de aplicar o Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais”, diz Barreto.

Para ele, houve uma diminuição na confiança sobre a aplicação da lei a partir da reforma do Código Florestal, em 2012, que anistiou alguns desmatadores, e com a aprovação de uma lei em 2017 pelo governo Temer que facilitou a regularização fundiária de terras da União ocupadas na Amazônia.

A justificativa era dar título de terra para os mais pobres e reparar injustiças históricas com pessoas que ocuparam a região, após o chamado do governo federal na década de 1970, e nunca tiveram a situação legalizada. Para ambientalistas, isso favoreceria grileiros. Estudo feito pelo pesquisador e publicado na revista Environmental Research Letters, em junho, estimou ganhos de até R$ 8 bilhões por grileiros a partir da lei. “Além disso, o mercado para carne continua bom, especialmente com aumento de exportações para China”, diz Barreto.

Especialistas que acompanham a área ambiental ainda atribuem o crescimento do desmatamento na área a fatores como o enfraquecimento da fiscalização federal e a sinalização do governo de que pretende flexibilizar a exploração comercial de áreas hoje protegidas. Em 2018, o orçamento do ICMBio para proteger as florestas havia sido de R$ 23 milhões. Neste ano, esse orçamento diminuiu quase 50%, chegando a R$ 13,5 milhões.

A íntegra da reportagem pode ser lida aqui.

fonte: http://www.ihu.unisinos.br/594565-desmate-em-unidades-federais-protegidas-sobe-84-e-supera-media-de-toda-a-amazonia


35% do desmatamento na Amazônia é grilagem, mostra análise realizada pelo IPAM

Uma análise realizada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostrou que 35% do desmatamento ocorrido na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi registrado em áreas não-designadas e sem informação.

A reportagem é de Cristina Amorim, publicado por IPAM, 21-11-2019.

“Isso é grilagem de terras”, afirma o diretor- executivo do IPAM, André Guimarães. “Essas florestas são públicas, ou seja, é patrimônio de todos os brasileiros, que é dilapidado ilegalmente para ficar na mão de alguns poucos.”

Se o desmatamento ocorrido em áreas protegidas for adicionado à conta, o índice chega a 44%. Os números baseiam-se no Prodessistema oficial de monitoramento do desmatamento na Amazônia, divulgado ontem pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e divididos por categoria fundiária pelo IPAM.

“A grilagem tem se mantido na Amazônia ano a ano, com um incremento recente em terras não-designadas”, explica a diretora sênior de Ciência do IPAM, Ane Alencar. “Precisamos preservar essas florestas para garantir que as chuvas continuem a alimentar o campo brasileiro e a geração de energia. Isso se dá com fiscalização eficiente e constante, além da destinação dessas áreas para conservação.”

Outra categoria fundiária que se destaca são os assentamentos. Segundo análise do IPAM, em 2019 confirma-se um padrão de desmatamento nessas regiões que tem pouco a ver com a produção familiar: dos 283 mil km2 derrubados nessa categoria, 154 mil km2, ou 55% da área, estão concentrados em 57 assentamentos, que representam somente 6% dos 917 projetos que registraram retirada de árvores entre agosto de 2018 e julho de 2019.


(Gráfico: EcoDebate)

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fonte: http://www.ihu.unisinos.br/594544-35-do-desmatamento-na-amazonia-e-grilagem-mostra-analise-realizada-pelo-ipam


Os novos números de desmatamento confirmam o “efeito Bolsonaro”, apesar das negações

"O discurso do Presidente e do seu Ministro do Meio Ambiente sugere repetidamente que as leis ambientais podem ser violadas impunemente. Foi enviada uma mensagem clara de que não haverá consequências para essas violações quando os Ministros do Meio Ambiente e da Agricultura visitaram uma plantação ilegal de soja em uma área indígena no Mato Grosso", escreve Philip Martin Fearnside, doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978, em artigo publicado por Amazônia Real, 20-11-2019.

Eis o artigo.

Em 18 de novembro, o governo brasileiro divulgou um valor preliminar para o desmatamento da Amazônia de “2019”, o que se refere ao período de agosto de 2018 a julho de 2019. Os números mostram um aumento de 29,5% em relação ao ano anterior, com um total de 9762 km² desmatado neste período, mais do que o dobro da taxa quando o famoso declínio do desmatamento no Brasil terminou em 2012.

O anúncio foi feito em conjunto pelos Ministros da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente, com o último, o Ministro Ricardo Salles, alegando que os números indicam que o governo de Jair Bolsonaro, que assumiu o cargo presidencial em janeiro de 2019, não resultou em um aumento nas taxas de desmatamento. Ele argumentou que o aumento do corrente ano é apenas parte da tendência de alta que se mantém desde o ponto mais baixo de 2012. Uma versão anterior em inglês deste texto foi publicada pela Mongabay.

Infelizmente, o aumento do desmatamento em 2019 pode, sim, ser atribuído ao governo Bolsonaro, apesar da sequência de mudanças na taxa de desmatamento ao longo dos anos desde 2012 ter se aproximado do aumento percentual recorde de 2019 duas vezes (em 2013 e 2016). Embora o aumento percentual deste ano seja apenas ligeiramente superior aos dos dois anos com percentuais semelhantes, deve-se lembrar que os dados do PRODES divulgados em 18 de novembro cobrem apenas o ano até 31 de julho, e a taxa de desmatamento nos meses seguintes explodiu até níveis muito acima dos mesmos meses do ano anterior: em agosto, a taxa de desmatamento foi 222% acima do valor de 2018 e o valor de setembro foi 96% maior.

Essa parte do “efeito Bolsonaro” só será refletida nos dados do programa PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), quando os números para “2020” forem divulgados daqui a um ano.

Os aumentos do desmatamento e do fogo são resultados da constante retórica anti-ambiental e das ações concretas no desmantelamento das agências ambientais do país e na suspensão efetiva de multas por desmatamentos ilegais. A retórica e os retrocessos institucionais foram documentados em detalhes em um artigo publicado revista Environmental Conservation e disponível em português no site da Amazônia Real.

O discurso do Presidente e do seu Ministro do Meio Ambiente sugere repetidamente que as leis ambientais podem ser violadas impunemente. Foi enviada uma mensagem clara de que não haverá consequências para essas violações quando os Ministros do Meio Ambiente e da Agricultura visitaram uma plantação ilegal de soja em uma área indígena no Mato Grosso, onde posaram para fotografias com as máquinas e elogiaram a operação.

As pessoas na fronteira do desmatamento não seguem a publicação de decretos e leis no Diário Oficial nem leem os detalhes das mudanças legais relatadas nos principais jornais. Em vez disso, suas informações são provenientes das mídias sociais, que espalham rapidamente as notícias de cada discurso inflamado do presidente e de seus ministros contra as agências ambientais do governo e contra ambientalistas e ONGs ambientais.

É o clima gerado por esse discurso que influencia o comportamento. Este ano, muitas pessoas que foram apanhadas em flagrante por violar uma lei ambiental respondem imediatamente que o presidente “liberou” tudo.

desmatamento aumentou desde 2012 devido ao aumento contínuo de forças que causam a perda de florestas, como mais estradas que dão acesso à floresta, mais população e mais investimentos. O efeito indireto da expansão da soja, sem dúvida, desempenhou um papel importante, com os plantadores de soja comprando muitas fazendas de gado no Mato Grosso, incluindo fazendas no Cerrado, além daquelas na área que originalmente era floresta amazônica. Esses fazendeiros usam o dinheiro das vendas de terras para comprar terras muito mais baratas na floresta amazônica mais ao norte, especialmente no Estado do Pará, onde desmatam em larga escala para estabelecer novas fazendas.

Pará é o maior contribuinte para o desmatamento desde 2006, quando ultrapassou o Mato Grosso como o desmatador campeão.

As perspectivas para 2020 são sombrias. Os dados do PRODES para o ano nominal “2020” incluirão o desmatamento que já ocorreu a partir de agosto de 2019, que até agora totaliza 3929 km2 com base no sistema de monitoramento DETER (o total oficial a ser produzido pelo sistema PRODES será ainda maior, já que o sistema DETER não registra parte do desmatamento).

estação chuvosa já começou, mas, quando a estação seca voltar em 2020, pode-se esperar outro aumento no desmatamento. Nada mudou no discurso da administração presidencial e o desmantelamento das instituições ambientais do país continua. As várias estradas, barragens e outros projetos planejados na Amazônia implicam em mais desmatamento.

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fonte: http://www.ihu.unisinos.br/594547-os-novos-numeros-de-desmatamento-confirmam-o-efeito-bolsonaro-apesar-das-negacoes

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