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Independência ou morte? Procura-se o Brasil da pátria mãe gentil

 Leila Rebouças *

 

Não existe independência no país que privatiza e que vende suas riquezas, que explora e humilha seu povo, no país de lambe botas imperialistas, colonialistas.

Procura-se uma pátria cuja prioridade seja a vida de seu povo, e não o lucro ou a propriedade privada e os interesses dos mais ricos.

Procura-se uma pátria cuja democracia seja laica, porque aqui se mata por religião, cor da pele, gênero e classe social. 

Procura-se uma pátria cujo trabalho não seja para a servidão, que seja para todos e todas, e na mesma proporção, o direito à saúde, à comida, à água, ao trabalho, à moradia, ao lazer e à educação.

Procura-se uma pátria onde seus dirigentes produzam políticas públicas voltadas para a vida, e não para a produção de armas de morte.

Procura-se uma pátria que respeite o direito  à cultura, à participação, à representação, e à transparência, que não seja para a indução e produção do ódio, da disciplina e da doutrinação para a cegueira e para o cabresto.

Procura-se o Brasil, da pátria mãe gentil que te embala em berço esplêndido e te protege das desigualdades sociais, das violências, das mortes por negligências e corrupção.

Procura-se o Brasil que respeita e protege a vida das mulheres, crianças, jovens, velhos, indígenas e migrantes. 

Procura-se o Brasil, do povo que respeita as diferenças, que pratica a luta por igualdade e Justiça social.

Independência não é ódio, não é fome, não é miséria, não é preconceito, não é desemprego, não é violência, não é morte e nem é privilégios de uns poucos. Independência é sobretudo democracia, liberdade e igualdade de direitos.

O Brasil da pátria mãe gentil agoniza nas chamas permissivas das ações do Estado, nas queimadas da Amazônia , dos cerrados, na morte dos rios e dizimação dos povos indígenas, no genocídio da população jovem, negra, nas violências contra as mulheres e meninas e população mais pobre.

A nossa pátria mãe gentil respira com dificuldades sufocada pelos efeitos da Pandemia, mas também pela propagação do ódio, da ganância, das fake news, dos cinismos, e principalmente da ignorância.  

Procura-se o Brasil da humildade, da liberdade e os interesse de seu povo estejam, de fato, acima de tudo, sem desprezo às minorias e à diversidade religiosa.

Onde há exclusão, não há liberdade. A Independência não se constitui na servidão de um povo.  

 

* Professora, formada pela Universidade de Brasília, feminista e ativista social

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