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MEC intervém no IFRN e elege reitor bolsonarista para fortalecer abertura em meio a pandemia

Josué de Oliveira Moreira foi escolhido pelo governo Bolsonaro e Weintraub para assumir o cargo de reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, sem sequer que ele tenha participado das eleições internas em dezembro de 2019 dos estudantes, professores e servidores. Essa intervenção se dá num momento em que Bolsonaro ofensiva em uma política genocida de volta às aulas nas escolas, institutos e universidades, enquanto aproveita pandemia para impor o EAD como política educacional de sucateamento e privatização do ensino em diversas universidades e escolas.

Esquerda Diário

terça-feira 21 de abril| Edição do dia

Josué é filiado do PSL e foi candidato à prefeitura de Mossoró nas últimas eleições, cuja vitória foi apoiada pelo deputado General Girão (PSL-RN). Sua eleição é denunciada pela comunidade acadêmica do IFRN como um processo intervencionista no instituto, que já vem sendo política do MEC desde o início do governo Bolsonaro. Além dele, o reitor do IFSC, no ano passado o do IFBA, também foram escolhidos dessa forma autoritária e contra a autonomia desses institutos. Universidades como UFC e outras foram vítimas desse processo no ano passado.

Segundo relatos ao nosso site, durante a campanha, inclusive nos debates, Josué mencionava estar convicto da sua nomeação para reitor pelo simples fato de estar alinhado com a política do atual presidente da República, mesmo o resultado não sendo favorável à sua candidatura.

Essa decisão torna ainda mais anti-democrático e reacionário o papel que cumprem as reitorias nas universidades e institutos. A intervenção direta do governo Bolsonaro tem em vista subordinar esses institutos à política bolsonarista dos terraplanistas e negacionistas do MEC, que atacam a ciência e a educação em benefício de projetos como o EAD, que vem sendo implementada em diversas universidades e escolas pelo país.

Além disso, busca colocar na reitoria alguém que busca facilitar, em meio a pandemia do coronavírus a desastrosa política de volta às aulas, em espaços onde a aglomeração colocará em risco a vida de inúmeros professores, trabalhadores e alunos de todo o país. Weintraub prometeu premiar e privilegiar o orçamento à educação às instituições de ensino que passem a retornar as suas atividades, em uma medida abertamente chantagista, e o novo reitor bolsonarista está alí para atender.

A intervenção, enquanto uma medida autoritária, aprofunda a violação da autonomia de ensino e pesquisa das universidades para atender a essas demandas, frente ao papel antidemocrático que as reitorias já cumprem nesse sentido. As reitorias são de eleitas sem voto proporcional de cada setor que compõe a universidade, no melhor dos casos se dá de forma paritária (que dá maior peso para o voto de professores em detrimento de estudantes e trabalhadores). Na prática essas reitorias estão a serviço de controlar e restringir a autonomia de decisão da ampla maioria da comunidade acadêmica sobre a produção de conhecimento quando define, para dar apenas um exemplo, o controle e destino orçamentário nas políticas educacionais, cujo resultado são espaços de ensino subordinados aos mandos do Estado (de seus cortes orçamentários inclusive), permeado por distintos interesses de classe de empresários e grandes monopólios capitalistas.

Por exemplo, o Ensino a Distância tem sido uma política elitista e reacionária por parte dos governos para "responder" à pandemia, que alimenta uma saída mercadológica e sucateada de ensino, aproveitando as condições da pandemia, e que certamente o interventor do IFRN será o facilitador desse modelo para o IFRN.

O EAD é profundamente reacionário frente às condições reais de vida dos professores e jovens, em especial filhos dos trabalhadores do país. Espera que todos tenham acesso a internet e a um computador em casa, quando o Brasil vive uma realidade em que 35 milhões de casas sequer tem água. Busca submeter os professores a uma pedagogia que busca formar massivamente de forma ainda mais precária os filhos dos trabalhadores, como método para se adaptar à nova dinâmica do trabalho que vemos hoje, com gente que tem diploma de doutorado muitas vezes sobrevivendo de fazer viagens de Uber, jovens universitários e secundaristas entregando comida de bicicleta pra Rappi iFood, etc. Enfim, uma política que anula a possibilidade de uma livre produção de conhecimento nas escolas e universidades, que em nada é de interesse dos trabalhadores e da juventude, que cada vez mais percebem a importância de um conhecimento a serviço dos trabalhadores para enfrentar a pandemia, a falta de moradia digna, enfim, diversos problemas sociais que as universidades e institutos poderiam estar voltados a refletir e atender, mas são submetidos ao produtivismo na formação de mão de obra pra esse tipo de mercado de trabalho cada vez mais informal, precário e alienante.

Por isso o Esquerda Diário se solidariza completamente com cada manifestação de rechaço a essa intervenção e em favor da decisão acatada nas eleições do instituto, como a que ocorreu na manhã desta segunda-feira, 20, em frente à reitoria do IFRN. Mesmo durante a pandemia mostraram como é possível encontrar saídas de como se organizar, tomando as medidas de prevenção necessárias, para unificar os estudantes, trabalhadores e professores na luta contra essa intervenção autoritária e suas possíveis consequências genocidas e privatistas.

(Foto: DCE/UFRN)

Ao mesmo tempo, achamos também que é fundamental como parte de seguir a luta pela real democratização compreender que para combater verdadeiramente em defesa da autonomia universitária o movimento estudantil e de trabalhadores deve apontar que uma real autonomia universitária passa pela democratização das estruturas de poder das Universidades e Institutos Federais, em que a comunidade acadêmica tenha direito a um voto por cabeça para escolher seus representantes, sem interferência do Governo do Estado, e que os órgãos colegiados tenham um número de representantes de professores, estudantes e trabalhadores proporcional ao sua representatividade na realidade, ou seja, com uma maioria estudantil.

Compartilhamos também à nota de entidades estudantis repudiando a nomeação intervencionista por parte do MEC:

NOTA DO DCE/UFRN, DCE/UERN E DEMAIS ENTIDADES

Na manhã desta segunda-feira (20), o governo Bolsonaro protagonizou mais um grande golpe contra a democracia e a autonomia das Instituições Federais de Ensino Superior. Abraham Weintraub, Ministro da Educação, desrespeitou o resultado das eleições para Reitor do IFRN - as quais elegeram o Professor Arnóbio - e nomeou um interventor que sequer participou da eleição. Josué de Oliveira Moreira, nomeado pelo MEC, é recém filiado ao PSL, ex-candidato a Prefeito de Mossoró e teve o apoio do General Girão (PSL-RN), Deputado Federal.

Esse grave ataque não é uma ação isolada do governo Bolsonaro, que vem intervindo em grande parte dos processos eleitorais para a Reitoria não só dos Institutos Federais, mas também das Universidades Públicas. A partir dessa política golpista de silenciamento da vontade dos estudantes e servidores, o presidente escancara seu objetivo de subordinar as IES à sua autoridade, de modo a aparelhá-las com seu projeto ideológico conservador.

O movimento estudantil potiguar não admite o modo autoritário com o qual o bolsonarismo governa o país e mais uma investida contra a soberania popular, que contraria princípios básicos de qualquer democracia, e exige a posse do Reitor eleito!

#ForaInterventor #PosseDoReitorEleitoJá

Pedimos a assinatura dos CA’s pra esse posicionamento conjunto das entidades. Vamos postar ao meio-dia, mas não impede que seja assinado posteriormente e vamos editando na postagem.

Assinam:

1 - DCE UFRN
2 - DCE UERN
3 - DCE UFERSA
4 - DCE UNI-RN
5 - DCE UnP
6 - REGIF - Rede de Grêmios do IFRN
7 - ADURN
8 - ADUERN
9 - União Estadual dos Estudantes do RN (UEE/RN)

1 - Centro Acadêmico Amaro Cavalcanti - Direito UFRN
2 - Frente Popular de Pós-Graduação UFRN
3 - Centro Acadêmico Lourdes Bernadete - Fonoaudiologia UFRN
4 - Centro Acadêmico de Engenharia Química - UFRN
5 - Diretório Acadêmico Ada Lovelace - TI UFRN
6 - Centro Acadêmico Newton Navarro - Artes Visuais UFRN
7 - Centro Acadêmico de Biologia - UFRN
8 - Centro Acadêmico de Engenharia de Aquicultura UFRN
9 - Centro Acadêmico Djalma Maranhão de GPP UFRN
10 - Centro Acadêmico de Odontologia UFRN
11 - Centro Acadêmico de Serviço Social Aurora Maria
12 - Centro Acadêmico de Engenharia Elétrica - UFRN
13 - Centro Acadêmico de Saúde Coletiva- CASC UFRN
14 - Centro Acadêmico de Economia - CAECO UFRN
15 - Centro Academico de Engenharia de Alimentos - CAEALIM UFRN
16 - Centro Acadêmico de Psicologia - CAPSI UFRN
17 - Centro Acadêmico Zila Mamede - Biblioteconomia UFRN
18 - CARB - Direito Campus Central UERN
19 - CASS - Centro Acadêmico de Serviço Social UERN
20 - CA de História Carlos Marighella - UERN
21 - CAAJA- Centro Acadêmico de Letras. Campus Central UERN
22 - Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental UFRN
23 - Centro Acadêmico de Geologia UFRN
24 - Centro Acadêmico de Farmácia Adolpho Ramires - CAFAR UFRN
25 - Centro Acadêmico Nelson Chaves - Medicina UFRN
26 - CAGEO - Centro Acadêmico de Geografia Mirian Gurgel Praxedes - Campus Central UERN
27 - Centro Acadêmico de Filosofia - CAFIL UFRN
28 - Centro Acadêmico de Enfermagem - CAJU
29 - Centro Acadêmico de Fonoaudiologia- CALB
30 - CACS - Centro Acadêmico de Ciências Celina Guimarães UERN
31 - CAO - Centro Acadêmico Odontogênese Campus Caicó UERN
32 - Centro Acadêmico de Psicologia - CAPSI FACISA
33 - Centro Acadêmico de Geografia Maria do Carmo - CAGEO UFRN
34 - Centro Academio de Engenharia de Produção (CAENPRO) UFRN
35 - Centro Acadêmico de Pedagogia Paulo Freire (CAPED) UFRN
36 - CAFÍS - Centro Acadêmico de Física Valdomiro Morais
37 - Centro Acadêmico de Ecologia - CAECO UFRN
38 - Centro Acadêmico de Nutrição Josué de Castro (CANUT/UFRN)
39 - Centro Acadêmico de Ciência e Tecnologia - UFERSA
40 - Centro Acadêmico Marcos Dionísio - UFERSA
41 - Centro acadêmico da Licenciatura Interdisciplinar em Educação do Campo - C. A LEDOC /UFERSA
42 - Centro Acadêmico de Agronomia - CAA UFERSA
43 - Centro Acadêmico de Medicina Andreia Taborda - CAMAT UFERSA
44 - Centro Acadêmico de Engenharia de Computação - CAEcomp UFRN
45 - CAPED - Centro Acadêmico de Pedagogia da UERN
46 - Centro Acadêmico de Zootecnia - CAZOO UFERSA
47- Centro Acadêmico de Letras Poeta Jorge Fernandes - CALET/UFRN-Natal
48 - Centro Acadêmico Prof Iapony Galvão- CAPIG UFRN-CERES
49 - Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo - CAAU UFRN
50 - Centro Acadêmico de Design - CADe UFRN
51 - Centro Acadêmico de Geofísica - CAGEF UFRN
52- Centro Acadêmico de Teatro Augusto Boal- CATAB
53 - Centro Acadêmico de Zootecnia - CAZOO UFRN
54- Centro Acadêmico de Gestão Hospitalar - CAMAPE UFRN

1 - Coletivo Juntos!
2 - Coletiva Síndica Travessia/FASUBRA - Resistência
3 - Luta Educadora
4 - Movimento Correnteza
5 - Rede Emancipa
6 - Coletivo Paratodos RN
7 - União da Juventude Comunista (UJC)
8 - Movimento por uma Universidade Popular (MUP)
9 - Movimento por uma Escola Popular (MEP)

 

fonte: http://www.esquerdadiario.com.br/MEC-intervem-no-IFRN-e-elege-reitor-bolsonarista-para-fortalecer-abertura-em-meio-a-pandemia

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