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Bolsonaro ameaça novo AI-5 e esquerda responde com “frente ampla” 

Laura Gontijo

 
A convocação de um ato contra o Congresso por parte do próprio presidente da República teria sido sugestão do general Augusto Heleno, que fez parte ainda jovem da ala mais dura do regime militar e é atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional. 
 
O motivo imediato seria a recusa do Congresso em aceitar imposições do governo no que diz respeito à destinação do orçamento da união, bem como em garantir por parte do governo a aprovação das reformas tributária, administrativa e etc. 
 
Aventa-se a hipótese de que a ação de Bolsonaro visa mostrar serviço, depois de reunião com os principais banqueiros do país, que o consideraram muito tímido na destruição do país. 
 
O fato é que desde o golpe contra Dilma em 2016 é esperado o fechamento do regime. O golpe sempre foi e é militar. Agora, em 2020, isso começa a ficar claro. O governo está tomado por militares e até convoca ato contra o Congresso, uma espécie de reedição da “Marcha da família com Deus pela liberdade”. É também uma reação do governo fascista à greve dos petroleiros, um sinal claro de que a classe operária começa a se levantar. 
 
A iniciativa parece que despertou setores da burguesia e da esquerda, até então embevecidos na perspectiva eleitoral. Diante da ameaça contra o Congresso, formou-se ontem uma “frente ampla”, que reúne figuras como Lula, Dilma, FHC, Ciro, Dória, podendo vir a incluir aí até Maia, Malcolumbre etc.
 
Abre-se uma nova situação no panorama político, na qual, de um lado tem-se o governo fascista e setor considerável do Exército tentando estabelecer uma ditadura e, de outro, uma união da esquerda com a direita fascista para tentar derrotar Bolsonaro e estabelecer uma frente popular de direita. 
 
Até o momento, a esquerda fez muito pouco de oposição ao Bolsonaro de fato. A esquerda não se empolgou com a maior greve dos petroleiros dos últimos 30 anos. Não impulsionou este movimento. E vê até com temor a mobilização dos trabalhadores. 
 
A “frente ampla” é uma forma de frente popular, como ocorreu na França na década de 30, e que apenas retardou/facilitou a ascensão fascista posterior, sufocando a iniciativa do movimento operário, que tinha realmente nas mãos a possibilidade de derrotar o fascismo. 
 
A união com a burguesia não resultará em nada positivo para a classe operária. O PT que foi perseguido severamente nos últimos anos, Lula que foi preso com o consentimento de muita gente de dentro do próprio partido, deveriam seguir uma política independente e vinculada à mobilização dos trabalhadores. Dória, FHC, Ciro, Maia, Alcolumbre ... todos apoiaram o golpe contra a Dilma, a prisão de Lula, a ascensão fascista e participaram do movimento que levou à situação que estamos hoje. 
 
Nesse sentido, é mais do que necessário convocar uma frente única antifascista para se contrapor tanto à ameaça de Bolsonaro como à frente ampla. Unir-se com a burguesia só nos levará à derrota, seja com a instauração de uma ditadura militar escancarada seja com a instauração de um regime bastante direitista de ataque à classe operária. 
 
A frente única antifascista envolve reunir partidos e organizações de esquerda com o intuito de enfrentar o fascismo a partir da mobilização popular. 
 
Dia 15 de março será um teste para o fascismo e para o movimento antifascista brasileiro. É preciso ir às ruas, é preciso enfrentar o fascismo com greves e mobilizações. Nenhum acordo com a burguesia igualmente fascista! Fora Bolsonaro! 
 
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