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Guedes e BNDES escolhem consórcio com multinacional para privatização dos Correios

Neste sábado (22) foi divulgado pelo BNDES o consórcio escolhido para apresentar as propostas de venda dos serviços postais no Brasil. O objetivo, segundo o banco, é buscar alternativas de parceria com a iniciativa privada para gestão do serviço postal, atualmente prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

Esquerda Diário

segunda-feira 24 de agosto| Edição do dia

Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil Geral

O consórcio escolhido é liderado pela empresa Accenture do Brasil, uma empresa multinacional, com sede na Irlanda, que trabalha com consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing. Trata-se da maior empresa de consultoria do mundo e competidora global no setor de consultoria de tecnologia e ligada ao escândalo fiscal da Enron no começo dos anos 2000.

A contratação do consórcio Postar é a sinalização do início de um plano de privatização das estatais brasileiras, como Correios, Eletrobrás e etc. Essa é a principal aposta do Governo Bolsonaro aliado ao privatista Paulo Guedes, Ministro da Economia.

É muito comum ouvirmos que os Correios é uma empresa que gera prejuízo para o estado. Tanto não é verdade, que em 2017 seu lucro foi de R$ 667 milhões, e em 2018 a companhia fechou o ano com um lucro de R$ 161 milhões. Mas se a empresa gera lucro qual o motivo de sua privatização?

Desde o início de 2018, a principal fonte de receita da estatal deixou de ser o monopólio postal, que vem sendo substituído pelas mensagens eletrônicas e passou a ser a entrega de encomendas, mudança impulsionada, sobretudo, pelo crescimento do e-commerce. E apesar das diversas empresas privadas atuarem no ramo de entrega, que aumentou muito durante a pandemia, os Correios ainda continuam sendo a empresa com o custo menor. Ás custas, muitas vezes, da precariedade de condições de trabalho e exposição dos trabalhadores, que continuaram trabalhando durante a pandemia, sem EPIs e testes e com muitos casos de contaminação e mortes pelo COVID-19.

Isso só demonstra que apesar de todo o seu discurso de soberania nacional a política de Bolsonaro, é totalmente subordinada aos interesses imperialistas, não à toa são multinacionais responsáveis por projetar o processo de privatização de uma das maiores estatais do país.
Não se pode deixar de falar das diversas situações de péssimo serviço relatado pela população. Contudo, a proposta de privatização dos Correios, está longe de se propor a prestar um serviço de qualidade com menor custo, pelo contrário, a venda dos Correios é para entregar à iniciativa privada o lucro da empresa enquanto a população continua arcando com os custos onerosos de entrega, e retira a empresa com menor custo de entrega da disputa entre os diversas empresas privadas que competem nesse ramo e tiveram o aumento de sua receita durante o período da pandemia.

Portanto, a precarização dos correios acaba resultando em um serviço débil para a população, mas este é o cálculo previsto para que a privatização do serviço seja apoiada popularmente. Nesse momento, Guedes leva a cabo seu plano de privatização sustentando que o serviço dos Correios é ineficiente e dão prejuízo, ao mesmo tempo que avança contra os direitos dos trabalhadores, tendo como aliado o próprio STF, que na última sexta-feira (21), suspendeu o acordo coletivo dos trabalhadores. Essa decisão na prática, pode fazer com que os funcionários poderão sofrer descontos de até 40% na remuneração de agosto.

Por isso, nós do Esquerda Diário, apoiamos a greve dos funcionários da estatal contra o sucateamento e privatização dos Correios e contra todos os ataques aos direitos dos trabalhadores.

 

fonte: http://www.esquerdadiario.com.br/Guedes-e-BNDES-escolhem-consorcio-com-multinacional-para-privatizacao-dos-Correios

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